A Sociedade dos Meus SonhosPor Henrique Silva
BARREIRO

Por Jornal Rostos
Há quarenta e quatro anos, num dia de Dezembro, solarado e de amena temperatura, deixei o Barreiro, a familia e muitos amigos, que ainda hoje recordo com fervor.
Vinte e quatro horas depois, chequei a Paris, onde me esperavam, além da Torre Eiffel, sessenta centímetros de neve, treze graus negativos e muitas aprendizagens.
Em busca da “ sociedade dos meus sonhos” fui. E nessa busca, eterna e permanente, sigo.
Viajei, bracejei países, idiomas e hábitos, mas nao encontrei em nenhum deles, aquilo que do coraçao pudesse sentir, como a “ sociedade dos meus sonhos”.
Em contrapartida, conhecí seres humanos extraordinários, interessantíssimas pessoas, hábitos muito respeitáveis. Aprendi muito, entre outras coisas, a ver o lado bom das coisas, a aceitar as diferencias, ser optimista, claro, humano, tolerante, respeitador de outrém e tratando de ser humilde, enquanto possivel.
Mais simbólico que nostálgico, considero hoje, nestes conturbados tempos, envolventes, tortuosos e incertos, que é bom valorisar aquilo que temos, sobretudo o essencial. Saber contentar-nos com a necessidade permanente de cultivar ambiçoes, manter-nos lutadores, defensores, proactivos, mesmo que seja só pelo pensamento; que nos dediquemos àquilo que nos encham de bem-estar espiritual e de bem- estar colectivo, comparticipando nas boas e nas más circunstâncias.
O nosso país, já pouco tem que ver com tempos passados. Mas a sua História é bela e a sua cultura apreciada por próprios e estranhos. Evoluiu muito e às vezes, quase nem nos damos conta disso! Esse facto, só por sí, merece e reclama a gritos, o empenho de todos, na continuidade e na fortaleza, seguindo à letra certos valores universais, que podem fazer da Vida, um espaço mais agradável, sereno, tranquilo, apaziguador. A boa convivência e a solidariedade sao – devem ser, um leitmotiv latente, ambas vao de maos juntas, como uma necessidade colectiva e absoluta.
O Homem é por essência criativo, inteligente, rebelde e colaborador! Todos fazemos parte de um molde mais de semelhanças que de diferenças. Só variamos nas grandes e pequenas moléculas. As oportunidades devem apresentar-se a todos.
Ter viajado por varios continentes, permitiu-me apreciar melhor aquilo que há e aquilo que possa faltar no nosso país. Há hoje em dia, em Portugal, mais do aquilo que havia antes e mais do que possamos pensar; há o bastante, para que todos sintam que vale a pena prosseguir. Há o suficiente, com que enfrentar um futuro melhor, que o presente que dificulta, nas suas imperfeiçoes ou delírios. Só por isso é importante crer em nós mesmos, no melhor que temos, na responsabilidade individual e na colectiva, por sexto sentido, por importancia de grupo, de partilha e de positivismo incondicional. Boas – Festas para todos.
Henrique Silva, Engenheiro - Empresário














