A PROPÓSITO DE UM NOVO CONSELHO…Por João Pedro Soares
BARREIRO

Por Jornal Rostos
Na passada sexta feira, 9 de Janeiro, foi lançado pelo Primeiro Ministro, José Sócrates, um Conselho com o objectivo de potenciar as empresas Portuguesas a alcançarem maiores níveis de internacionalização económica, através da prossecução de politicas que possam conduzir a claras melhorias nos péssimos resultados que temos vindo a ter na nossa balança comercial com o exterior. Será este o processo mais correcto para a produção de tais efeitos ?
À primeira vista, o intuito a lograr parece ter alguma lógica, já que julgo serem consensuais as dificuldades extremas das nossas empresas em conseguir empreender soluções para penetrar nos mais diversos mercados mundiais, nada que não fosse previsível para todos quantos tiveram atentos aos desenvolvimentos politico – económicos das últimas décadas do século XX até aos dias de hoje, em Portugal e no mundo. Lembramo-nos, com toda a certeza, dos muitos atrasos com que abraçámos a necessária entrada na União Europeia, mas sobretudo gostaria de vos trazer à memória as muitas oportunidades perdidas que tão bem serviram para reduzir a escombros parte significativa do que considero ser o tecido produtivo nacional, seja na agricultura, pescas, ou nas muitas Micro e Pequenas Empresas de todos os sectores, que vão sendo grotescamente aniquiladas por um sistema liberal que pretende uma economia concentrada para poucos, através do serviço de todos.
O que referi, como sabemos, faz parte da nossa história mais recente, não se pode, apesar de tudo, escamotear a necessidade absoluta de desenvolvimentos muito mais fortes no capitulo das exportações nacionais. Contudo, uma vez que uma balança comercial é composta por dois instrumentos comerciais, a exportação e a importação, parece-me igualmente essencial que o Governo nacional deveria dar igual primazia a possíveis tentativas do país poder vir a importar o menor número possível de produtos e, caros leitores, tal só se consegue com a sobrevivência, sustentabilidade e desenvoltura do tecido produtivo nacional, composto pelas Micro, Pequenas e Médias Empresas deste país. Muitas delas, a maioria, mais concretamente as Micro e Pequenas não têm, geralmente, vocação e capacidade exportadora, mas ainda hoje, e por muito que não queiram, mantêm-se fundamentais em todas as localidades Portuguesas, nos mais diversos sectores de actividade.
Senhor Primeiro Ministro, não seria igualmente fundamental estabelecer algo semelhante que viesse a perspectivar um real aumento da produtividade geral nacional, por forma a que o mercado interno pudesse atingir registos bem mais positivos e com isso os nossos níveis de importação pudessem baixar ?
Se por hipótese, meramente académica, tal viesse a acontecer, quereria dizer que estaríamos a produzir mais em Portugal, não só para dentro, como também para exportação, cujas empresas mais vocacionadas para esse efeito, logo menos frágeis, teriam bem mais dificuldade em absorver as mais débeis, trazendo, em virtude da saúde empresarial instituída, mais energia vital aos muitos sectores constituídos por Micro e Pequenas Empresas.
Senhor Primeiro Ministro, considerando o mercado interno como a base fundamental de qualquer economia, não conseguiríamos reduzir bastante a nossa fortíssima carga de endividamento ao estrangeiro ? Mais, ao darmos só e unicamente prioridade ao mercado exportador, não estaremos a manter as mesmíssimas politicas que têm destruído Portugal ?
João Pedro Soares
Presidente da ACISBM (Associação de Comércio, Indústria e Serviços do Barreiro e Moita)
Vice – Presidente da CPPME (Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas)














