Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Do fel de Pacheco ao "não tenho nada a ver com isso, nem sou de cá " de Lima.Por José Assis
SEIXAL

Pacheco Pereira agride pessoalmente o Primeiro Ministro, ataca-lhe o carácter, destila e lança o seu fel com os seus escritos. Muito pouco, pobre e triste para um deputado eleito pelo PSD. Riquíssimo, mas pouco inovador, para um esquerdista/direitista radical que assenta a sua actuação politica no taticismo e no "coçar para dentro" fiel a uma arte da guerra antiga e bafienta.

5 min de leitura
Do fel de Pacheco ao "não tenho nada a ver com isso, nem sou de cá " de Lima. Por José Assis SEIXAL

Por Jornal Rostos

Numa crónica no PÚBLICO, de 16/01/2010, Pacheco Pereira demonstrou e exibiu todo o seu fel politico e mesmo o ódio a José Sócrates. Desesperado, cúmplice da derrota eleitoral e co-autor da implosão do PSD, mas sem ter a lealdade de as assumir, diluição do PSD, sublinhada, de resto, por Santana Lopes - terça feira próxima vai ser condecorado pelo Presidente da República- sentado na última bancada do Parlamento a enviar algumas "bocas" ao Primeiro Ministro, que nem chegam a apartes dignos de registo, José Pacheco Pereira vira-se agora para o interior do partido que destruiu, lançando mão a uma tábua ou a uma luz ao fundo, não de um túnel mas de um poço, que o salve com e na nova liderança partidária.

Já no programa Quadratura do Círculo na SIC Pacheco Pereira começou a dar palpites sobre quem pode assumir a presidência do PSD. Para ele há várias alternativas, mas curiosamente não referiu Manuela Ferreira Leite para essa missão. Aliás, José Pacheco Pereira começou a "desmarcar-se" e a demarcar-se da actual direcção do seu partido logo no minuto seguinte aos resultados eleitorais de Setembro.Velhas práticas de um taticista da extrema esquerda apolitica e sem ideologia. Esse processo de " não tenho nada a ver com isto" teve a sua relevância, com o seu voto contra - no Parlamento- da proposta de lei do PSD sobre o novo regime jurídico do casamento, proposta essa que era contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo(apresentada pelo PS) e que Pacheco Pereira também viria a votar contra. É muito voto contra para quem insinua querer ajudar o país. Compreendeu-se, aliás, de imediato porque Aguiar Branco gritou aos sete ventos, antes do debate e da votação, que a sua bancada iria ter liberdade de voto naquela matéria : é que o grande ideólogo e estratega Pacheco Pereira já tinha armado o "caldinho" dentro da sua própria bancada, fazendo notar que iria votar contra a proposta do PSD. Armadilhou o PSD. Assim também eu, ou seja, sabendo da dissidência do grande líder programático, a liberdade de voto anunciada não foi uma verdadeira liberdade, foi uma liberdade condicionada e até forçada pela decisão, antecipadamente marginal, de Pacheco.

Mas Pacheco Pereira já está a piscar o olho, ou mesmo os dois, à nova direcção do PSD, isto é, àquela que vier a ser, - e eu acredito até que se Passos Coelho ganhar será um dos primeiros a sentar-se ao seu lado prometendo-lhe lealdade para todo o sempre - na medida em que, não tendo matéria relevante para apresentar enquanto deputado, envereda pelo "quanto pior melhor" típico do radicalismo indisfarçável que nem o PCP já usa.

Pacheco Pereira agride pessoalmente o Primeiro Ministro, ataca-lhe o carácter, destila e lança o seu fel com os seus escritos. Muito pouco, pobre e triste para um deputado eleito pelo PSD. Riquíssimo, mas pouco inovador, para um esquerdista/direitista radical que assenta a sua actuação politica no taticismo e no "coçar para dentro" fiel a uma arte da guerra antiga e bafienta.

2- Não sei se mais surpreendente, ainda e neste quadro de desnorte, é a atitude de Fernando Lima, na sua crónica do EXPRESSO de 16/01/2010. Em síntese o que Lima diz é : eu não tenho nada a ver com isto das alegadas escutas ao Presidente. E vai mais longe, acusando o PÚBLICO de uma primeira página sobre a matéria que ele estranha e insinua que ajudou " à festa" o que ele lamenta e contesta, referindo-se a questões de violação grosseira de ética profissional. Por outras palavras: Lima não teve nada a ver com aquilo porque ele somente se referiu à questão da alegada colaboração de assessores de Belém no programa eleitoral do PSD e essa é que foi a questão central, o resto foi especulação.
Uma figura triste, pouco solidária e que deixa um alerta para o futuro, este Fernando, com quem todos já sabemos que podemos contar nos bons e nos maus momentos.Só que nestes, nos maus, podemos contar com ele para "dar à sola".

3. Em síntese: o espernear dos homens do Presidente e o seu deambular à procura de abrigo, nem que seja na casa do inimigo, demonstram a solidez da recandidatura do Professor Cavaco Silva. Do mesmo modo que Manuela Ferreira Leite acreditou que seria possível com esta gente, espero, pelo respeito que tenho pelo actual Presidente da República, que este não vá na conversa e faça uma campanha com a maior da dignidade. Se se recandidatar claro, porque cá para mim estes seus "amigos" o mais certo é andarem a arranjar um seu sucessor, para depois dizerem "eu não tenho nada a ver com isto".

José Assis

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção