A crise financeira e económicaPor José Bastos
MONTIJO

Por Jornal Rostos
Já passámos por três crises económicas e financeiras depois do 25 de Abril. A actual é a mais profunda e aquela que vai levar mais tempo a resolver.
Quem está habituado a gastar muito dinheiro durante anos tem muita dificuldade em se adaptar a uma política de austeridade.
É uma situação que se passa com as pessoas, com as famílias , com empresas e com os organismos do estado, que estão dependentes das receitas dos impostos, que sempre diminuem quando há crise económica.
Esta crise atingiu drasticamente as pessoas que ficaram sem emprego, no entanto, os que estão empregados aproveitam também para se queixarem.
Quem gere o dinheiro dos impostos tem que ter o maior cuidado nos gastos e só gastar naquilo que é essencial. O crédito é limitado e caro. E o pior é quando se esgota o crédito e não se pode pagar aos fornecedores e outras despesas fixas.
A experiência de vida ,ensinou-me que ninguém pode gastar mais do que aquilo que recebe ,se não quiser andar de mão estendida, mas é difícil convencer as pessoas disto, pois estão sempre a pensar que a crise é passageira e que as coisas vão melhorar a curto prazo. A actual crise não é assim e vai levar uns anos até que a economia tenha um crescimento razoável. E ainda temos de contar no futuro com o aumento do petróleo e dos juros.
Isto para mim é tudo muito claro e é uma evidência que vai acontecer, mas não quero desanimar ninguém e fico satisfeito se não tiver razão.
Há pessoas que são muito organizadas com as suas contas pessoais e têm até poupanças, mas quando chegam aos serviços públicos não se importam nada de ter dívidas. Eu sempre pensei de outra maneira: quem gere o dinheiro dos outros tem que ter mais cuidado do que tem com a gestão do seu próprio dinheiro.
Em 1975, um ano depois da revolução o governo provisório à época fez um despacho ministerial que proibia a compra de bens, conforme abaixo descrimino:
a) Não devem efectuar-se novos contratos de arrendamento;
b) Não podem adquirir-se veículos automóveis;
c) Não devem efectuar-se despesas com mobiliário e outras aquisições
que, embora necessárias, possam ser adiadas;
d) São proibidas as despesas de carácter sumptuário ou de simples adorno;
e) Deverão reduzir-se ao mínimo indispensável as deslocações para fora do país;
f) Os casos excepcionais, de resolução inadiável , terão de ser
submetidos a despacho do Ministro da respectiva pasta.
O Governo actual ainda não fez nada disto, mas se as pessoas que gerem o dinheiro dos nossos impostos não compreenderem o que se está a passar com as finanças públicas tem que obrigar quem gere o dinheiro a ter uma grande contenção nas despesas. Será que as pessoas não percebem que a diferença entre a receita e a despesa vai para dívida e esta é cara e não é ilimitada.
As pessoas, as famílias, as empresas, as instituições e todos os que gerem finanças públicas ou privadas que não percebem isto estão sujeitos a cair no descrédito, porque nestas coisas do dinheiro cada um safa-se como pode e ninguém ajuda ninguém.
José Bastos














