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Quotidianos

Nós por cá todos… mal, bem queria que assim não fosse.Por Paula da Costa
BARREIRO

Já se entrava na madrugada quando saímos e ainda ficou uma senhora de meia idade, que infelizmente tinha uma braçadeira de não urgência, na sala de entrada. Quase que chorava. Sem entender, já que havia poucas pessoas para serem atendidas e ela ficava ali no esquecimento na cadeira de plástico, fria e desconfortável. Pelas minhas contas a senhora já lá estava há pelo menos 4 horas… esperando.

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Nós por cá todos… mal, bem queria que assim não fosse. Por Paula da Costa BARREIRO

Por Jornal Rostos

Meia-noite e tal a caminho do Hospital do Barreiro. Urgências. Talvez problemas cardíacos… e a triagem sem ninguém. Perguntei, protestei e ficava-me um olhar vazio, sem interesse dos funcionários. Mais de 30 minutos de espera ansiosa pela triagem e finalmente uma braçadeira de URGENTE!
A minha sobrinha entrou e mais uma eternidade para ser atendida pelo médico. De facto há vários significados para a palavra URGENTE.

Como não podia acompanhar a minha sobrinha fiquei pendurada numa sala de espera desagradável, desconfortável e fria. Quando queria saber alguma coisa ia espreitar pela janela da rua que dá para a sala dos doentes e aí ia-me dando conta da situação da minha sobrinha que estava em pânico com medo de cair para o lado e eu com a sensação de impotência que estes serviços colocam em cima dos cidadãos.

No corredor das Urgência estava uma senhora de idade numa cadeira de rodas há muitas horas, apenas com um robe a cobrir-lhe o corpo frágil. Foi a minha sobrinha que chamou a atenção do médico para essa situação desumana e logo a senhora foi atendida.
Finalmente a minha sobrinha foi atendida. Segundo ela, um atendimento muito bom e humano por parte do médico. Afinal não eram problemas cardíacos.

Já se entrava na madrugada quando saímos e ainda ficou uma senhora de meia idade, que infelizmente tinha uma braçadeira de não urgência, na sala de entrada. Quase que chorava. Sem entender, já que havia poucas pessoas para serem atendidas e ela ficava ali no esquecimento na cadeira de plástico, fria e desconfortável. Pelas minhas contas a senhora já lá estava há pelo menos 4 horas… esperando.

Pois que me dói na alma ver os idosos que viveram uma vida, trabalharam, tiveram filhos, cuidaram, ajudaram e são tratados como trapos velhos, sem utilidade e sem respeito.
Pergunto-me que raio de país é este que não tem respeito pelas pessoas mais vulneráveis: idosos e doentes?
Pergunto-me porque razão é que não humanização nestes serviços?

Pergunto-me porque razão é que os doentes não podem ser acompanhados até à consulta, ficando sozinhos, tristes, ansiosos, sem apoio nenhum, nem do hospital, nem dos acompanhantes?
Pergunto-me que raio de país é este, que para se ter uma informação teremos que espreitar, clandestinamente, através de uma janela aberta?
Pergunto-me que SNS é este onde somos tratados como estranhos e não como utentes??
Seria assim tão difícil olhar com olhos de gente para estes pequenos/grandes problemas e solucioná-los?

Tal como fui ao Hospital do Barreiro, também já fui a Hospitais privados e aí o que eu valho é diferente. Nunca por lá vi o que vejo no Hospital do Barreiro. Tenho uma sala agradável. Acompanho o dente. Não vejo idosos sem ser cuidados com atenção.
De facto, tenho que pensar que há por aí muitas cabeças pensadoras que apenas querem é tornar o SNS para os mais pobres e necessitados, tratá-los como não-gente e tornar os hospitais privados mais apelativos para as classes que têm mais dinheiro.

Só que o SNS é nosso e a nós pertence e “eles” não têm o direito de torná-lo um parente pobre da saúde de todos nós.
Que raio de país é este?
Nós por cá….. todos mal!

Paula da Costa

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