A Espada de DamóclesPor Henrique Silva
Por Jornal Rostos
Há dias, lia no prestigiado semanário alemao, Der Spiegel, um relatorio do DWI – Instituto Alemao de Investigaçoes Económicas, sobre a evoluçao da situaçao social da Alemanha, nestes últimos quatro ( 4 ) anos.
Para o ano 2 007, de cada Sete pessoas, Uma encontrava-se em estado de Pobreza.
Para o ano 2 010, de cada Quatro pessoas, Uma encontrava-se em estado de Pobreza.
A definiçao de Pobreza segundo a UE, é quando o agregado familiar, recebe sómente o equivalente a menos de 60 % do rendimento medio nacional.
Por outro lado, à definiçao da Pobreza Real, também segundo a UE, é quando nas mesmas condiçoes, o agregado familiar, tem um rendimento inferior ao 50 % do rendimento medio nacional.
Esta situaçao, observa-se também em França, na Espanha, enfim em toda a Europa, assim como nos Estados Unidos. Este panorama devastador, nao duvidemos, vem confirmar, de forma clara e tangível, o fracasso do modelo Neoliberal, que estava no seu apogeu de há vinte anos para cá, e que se acentuou à volta do ano 2 000, com resultados empíricos, como por exemplo a bancarrota da Argentina do senhor C. Menem, ou a hiper-inflaçao brasileira. Entretanto, surgiu a promoçao a toque de Tambor, do Foro Social Mundial com sede na burguesa localidade Suíça de Davos. Era a sua meta, principal denunciar e reprimir, os riscos e os excessos desse mesmo Pacote neoliberal. Porém e finalmente, o Foro de Davos, encruzilhada de soberanos mais ou menos figurantes, mais ou menos lúcidos e mais ou menos voluntariosos, acabou por nao cumprir a sua missao, bem pelo contrário, veiculava esse Foro, um “paralelo” de sistema que brilhava pela sua agonia, trasluzida por acólitos irreverentes, actores de palestras no vazio. Tudo caiu pelo seu proprio peso e contradiçoes dialécticas, ao nao responder eficazmente, às exigências dos países pobres, emergentes, nem tao pouco dos ricos, que foram os que mais se ressentiram pelas “chicotadas” desta Crise económico – financeira, também, social, cultural, civizacional e organizacional. A sociedade e a justiça social global, estao irreconhecíveis. Esse Foro, de Davos, esse humanismo social indifuso que apregava , acabou por denunciar-se a quatro ventos, com a chegada da hecatombe da segunda metade do ano 2 007. Situaçao muito similar sucedeu com outra iniciativa organizacional que quase nem viu a luz do dia: o projecto neoliberal para as Américas – o ALCA esse, mal concebido e mal promocionado desde o princípio, já é passado. Obama foi um dos seus coveiros, felizmente.
Noutra ordem de ideias, voltando para o nosso belo Rectângulo, temos de estar claros aqui e agora que, em Portugal, os partidos que teimem seguir na linha do mais do mesmo, ou seja desse famigerado neoliberalismo de Pacotilha, irao ao fracasso “to Go”. Pior, pondo em perigo nao só a estabilidade institucional do país, mas principalmente a nossa Democracia, tal como a concebemos a maioria dos portugueses. Que sejam á direita ou à esquerda, meus senhores, os Partidos devem rever-se de dentro para fóra; devem considerar a evidencia de uma sociedade que reclama cada vez mais descontentamento, angústia e inconformismo, uma sociedade que pode, quando menos se espere, desbocar numa explosao totalmente imprevisível e incontrolável.
Por isso, essa ideia aldeana, de forçar o Poder e abusar dele, adiando reformas profundas e consensuais da politica e da sociedade, é um mau conselheiro, é um abuso e uma falta de respeito, para com a consciência e a nobreza do Povo que sim sabe e vê com lucidez, aquilo que se está passando, aquilo, que “cheira” a Injustiça e a fé do Diabo. A chamada Democracia Representativa, em Portugal e no Ocidente, tem os dias contados. Outro Mundo é possivel. Criaram-se inúmeras redes sociais, para debater imensos temas de interesse geral, nomeadamente a Justiça social, a Cultura, o Trabalho, a Produçao exógena, a defesa da Água, do Ambiente, etc. A sociedade civil global, tem cada vez maior peso e actúa cada vez mais em assuntos relevantes, como o Direito Internacional, Direito do Trabalho, Ambiental, dos Direitos Humanos, etc. Aquilo que já está em bom caminho é a Democracia Participativa. É uma realidade compulsiva, consciente, latente, destronável. Aqueles que nao se abram a essa Nova Realidade, serao cúmplices delatadores de um desastre por vir, de uma realidade que pode ser explosiva e impredecível, dando azo a Autocracias, Ditaduras e Extremismos que se podem e devem evitar desde hoje, se realmente somos, uns e outros intelectualmente maduros e honestos, e sentimos amor pelo País onde nascemos e pelos nossos descendentes.
Henrique Silva,
03 / 2 010














