Sindicalismo Global e novos desafios, sem correias de transmissão!Por Daniel Bernardino
BARREIRO

Por Jornal Rostos
Nesta semana que terminou, foi publicado um livro intitulado “Inter Nacional” da autoria de Florival Lança, destacado dirigente da CGTP e antigo responsável pelo departamento internacional da Central Sindical, onde já não pertence.
Um livro bastante interessante que pretende mobilizar para o debate a filiação da CGTP na CSI – Confederação Sindical Internacional. Não só faz todo o sentido o debate, como a filiação da central nesta Confederação, pelas oportunidades que comporta para um movimento sindical mais global e mais próximo dos problemas dos trabalhadores europeus à escala global e mundial.
A globalização é para novos desafios, onde se perdem direitos, se deslocalizam empresas, se pratica o dumping social. Os momentos que vivemos são de enorme dificuldade para os trabalhadores a nível mundial, não só pela perda de direitos, mas pelo flagelo social em que se encontram mergulhados milhares de desempregados, o aumento da pobreza e das desigualdades, e uma retoma da economia que tarda em chegar.
Em Portugal o desaparecimento dos contratos colectivos de trabalho coloca-nos à prova para um futuro próximo sobre as condições de trabalho a que estarão expostos milhares de trabalhadores. Este que era um dos principais objectivos das associações patronais está a ser alcançado.
Alguns dos principais objectivos da CSI é que exista uma maior equidade entre os trabalhadores, nos seus direitos a nível internacional, algo que não acontece com a distribuição da riqueza com o aumento da precariedade. Não chega a luta da CES – Confederação Europeia de Sindicatos, como não serve a nossa maior Central Sindical – CGTP estar mais virada para uma potencial filiação na FSM – Federação Sindical Mundial, posição que é contraditória com a forma de estar no sindicalismo de muitos representantes dos trabalhadores.
A FSM tem maioritariamente apoiantes de países como a China, Índia, Paquistão, Cuba, Venezuela ou Colômbia. Estes são alguns países, e como exemplos temos o trabalho infantil ou o assassínio de sindicalistas, ou a falta de respeito pelos direitos humanos.
Na CSI, onde constam 154 países como a Alemanha, sendo um dos países que mais defende o diálogo social na europa, ou França na defesa dos direitos dos trabalhadores ou o Brasil (através da CUT – Central Única dos Trabalhadores), são sem dúvida exemplos para criar um debate alargado no nosso país sobre como tem de caminhar o sindicalismo global, não podemos estar entrincheirados dentro do território Nacional, como o não fazem as Multinacionais.
Não pode este debate estar ausente das nossas mentes, da nossa comunicação social e principalmente dos nossos sindicalistas, mesmo que tenham ideias contrárias devem promover o debate, porque é no debate das ideias que nascem novas formas de enfrentar os desafios do capitalismo contemporâneo, sem correias de transmissão.
Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Dirigente Sindical do SINQUIFA – CGTP
Membro do Secretariado do Comité Europeu da Faurecia
Parque Industrial Autoeuropa














