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Quotidianos

O Dia da TerraPor Olga Paredes
BARREIRO

Dia da Terra, têm que ser todos os dias, dedicados à “humanização” do ser humano e da sociedade. A desgraça ecológica a que vamos assistindo é causada pela agressividade com que os Homens se relacionam uns com os outros, e com a Terra. São enormes as pressões que existem sobre o uso do planeta devido ao crescimento da população, do desenvolvimento económico, da urbanização e da procura de biocombustíveis.

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O Dia da Terra Por Olga Paredes BARREIRO

Por Jornal Rostos

No dia 22 de Abril é celebrado o Dia da Terra. Este dia foi instituído em 1970 pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto a nível nacional contra a poluição. A partir de 1990 a data universalizou-se, ao mobilizar 200 milhões de pessoas em 141 países e marca a luta pelo meio ambiente.
A procura de recursos animais e vegetais dos 6, 8 mil milhões de habitantes da Terra já excede em cerca de 40% a capacidade que o nosso planeta tem em repô-los ao mesmo nível. Nesta altura, pelas estimativas realizadas, seriam necessárias 1,4 Terras para repor o equilíbrio dos recursos vivos.
A situação é mais preocupante na América do Norte e nos países da UE, onde a pegada ecológica de cada cidadão (área do território de que necessita em termos recursos) é amplamente maior que a capacidade biológica e regenerativa da região que habita. Em compensação, na América Latina e Caraíbas a situação é exactamente oposta.
Em relação ao estado da Biodiversidade, o actual ritmo de extinção das espécies é perturbador e só tende a piorar. Estima-se que as taxas de extinção poderão crescer mil a dez mil vezes e uma em cada quatro espécies de mamíferos estará ameaçada de extinção.
O cenário não é mais tranquilizador quando se aborda a temática da carência da água: em 2025 mais de três mil milhões de pessoas poderão viver com problemas de recursos hídricos. Actualmente, esse é o problema com que cerca de 700 milhões de pessoas, em 43 países, já se deparam.
A nível global, os sectores mais lesados serão os recursos hídricos, a agricultura, os sistemas costeiros, a saúde humana e ecossistemas como a floresta boreal, as regiões montanhosas, a floresta mediterrânica, as florestas tropicais, os recifes de coral e a vida nas águas geladas do Árctico e da Antárctida.
Em Portugal, as consequências passarão, inevitavelmente, pela redução da disponibilidade de água, as secas mais frequentes e prolongadas, o aumento do risco de incêndios florestais e a extensão da época dos fogos, o impacto negativo das ondas de calor na saúde pública, a redução de, aproximadamente, 30% no rendimento da agricultura, perdas de cerca de 62% na biodiversidade das espécies das regiões montanhosas, e a redução do fluxo de turistas no Verão...
Reivindica-se por mais igualdade a nível económico e social, porém, a envolvência nas disputas é tal que não deixam enxergam o caminho para onde nos dirigimos.
Cada vez mais, a Humanidade, dado que este é um problema global, enquanto se discutem politicas e politiquices, Esquerda ou Direita, caminha, cegamente, para um precipício. E, quanto mais se aproxima, mais se argumenta, mais se debate… e nada se faz para inverter a situação.
Dia da Terra, têm que ser todos os dias, dedicados à “humanização” do ser humano e da sociedade. A desgraça ecológica a que vamos assistindo é causada pela agressividade com que os Homens se relacionam uns com os outros, e com a Terra. São enormes as pressões que existem sobre o uso do planeta devido ao crescimento da população, do desenvolvimento económico, da urbanização e da procura de biocombustíveis. Todavia, o problema, é, também, do estilo de vida, de profundas injustiças na divisão dos recursos e, sobretudo, de uma total irracionalidade quando se trata de defender os interesses próprios. O que mais falta faz são pessoas, seres humanos educados, formados para a solidariedade, socialidade e convivência pacífica, capazes de cooperar entre si.
A Terra assiste a tudo isso, inerte como se de um ser já extinto se tratasse.
É fundamental actuar com urgência, a bem de todos e a fim de possibilitar a resolução do problema, profundo, da sustentabilidade dos nossos modelos de desenvolvimento.
É preciso mudar o estilo de vida...Reduzir, Reutilizar, Reciclar…Todos temos que colaborar, a começar pela nossa casa. É inadiável uma mudança de atitude e de mentalidades que deverão ser incentivadas por aqueles que detêm a responsabilidade na definição de estratégias do (suposto) desenvolvimento económico e social, a bem de todos os cidadãos não só portugueses, mas também, do mundo. O futuro dos nossos filhos e netos depende da nossa atitude hoje.
Não há planetas no Universo, para “mudar de casa”, quando este estiver completamente esvaído.
Mas a Terra, este nosso planeta, não sendo propriedade privada, tem vida... e se tem vida, tem direitos.

Olga Paredes
Barreiro, 22 de Abril de 2010

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