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Quotidianos

A primeira sede do PS no Barreiro - para contar a História toda, sem esquecer e sobretudo, sem omitir “pormenores”Por António José Ferreira

Também tivemos alguns dissabores, fruto da intolerância e do sectarismo de supostos militantes de outras forças políticas que se achavam com “direitos de propriedade política exclusiva” sobre o Barreiro, alguns dos quais, pasme-se (ou talvez não) são hoje militantes do PS.

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A primeira sede do PS no Barreiro - para contar a História toda, sem esquecer e sobretudo, sem omitir “pormenores” Por António José Ferreira

Por Jornal Rostos

Hoje, 29 de Abril perfazem-se 36 anos sobre a abertura da primeira sede do Partido Socialista no Barreiro que se situou em pleno Barreiro Velho, na Rua Almirante Reis onde hoje é a Discoteca Kontrast, numa casa que pertencia, e pertence, ao meu amigo e camarada José Manuel Ferreira (“Bandeireiro”) e em que tinham morado os seus pais.
Foi no dia 29 de Abril de 1974, quatro dias após a Revolução, que o António Cabós e eu nos deslocámos a Lisboa à Cooperativa de Estudos e Documentos, uma editora que servia de base logística ao PS na clandestinidade e fomos ter com João Soares (esse mesmo, o filho de Mário Soares) e lhe comunicámos o propósito de abrirmos uma sede do PS no Barreiro por termos para isso vontade e instalações, embora modestas. Viemos carregados de” Declarações de Princípios” e “Programas” do Partido e tivemos que apanhar um táxi até ao Terreiro do Paço, tomámos o barco e ao chegar ao Barreiro, de novo um táxi, onde até se registou um curioso “bate-boca” com o motorista, que pelos vistos era “facho” e ao reparar no tipo de material que trazíamos, nos disse em tom de ameaça que “tivéssemos cuidadinho”, pois se “a coisa virasse”, corríamos o risco de aparecermos “pendurados nalgum candeeiro”. Ora, a coisa “não virou” e ainda bem, pois nem nós, nem ele (que ainda aí anda todo ufano) “aparecemos pendurados” fosse onde fosse.
A sede foi aberta sem qualquer cerimónia de inauguração e serviu de base de trabalho e de tertúlia política a muitos jovens e veteranos, independentemente do seu vínculo ao PS, entre os quais quero destacar pela grande honra que isso significa, Manuel Cabanas e Artur Tavares, mas também Carlos Alberto Dias, João Paulo de Carvalho e Vítor de Almeida, entre muitos outros. Fomos visitados por muitos e muitas cidadãos e cidadãs do Barreiro e de outros locais e fomos entrevistados por importantes jornais estrangeiros que vieram a Portugal cobrir a Revolução. Também tivemos alguns dissabores, fruto da intolerância e do sectarismo de supostos militantes de outras forças políticas que se achavam com “direitos de propriedade política exclusiva” sobre o Barreiro, alguns dos quais, pasme-se (ou talvez não) são hoje militantes do PS.
A Secção, então chamava-se Núcleo, do Partido Socialista do Barreiro, esteve nessas instalações até Junho de 74, transferindo-se depois para uma loja por debaixo das bancadas do, hoje demolido, Estádio do F. C. Barreirense cedida pelo empresário Manuel Gomes, de onde passou para o Largo de Santa Cruz, perto da Igreja Matriz e finalmente para a Rua Miguel Bombarda onde ainda está.
Já que estamos em tempo de efemérides e com toda a modéstia, julgo ser de contar a História toda sem esquecimentos e, sobretudo, sem omissões, destas “migalhas” do tempo, que acabam por não ser despiciendas, constituindo-se mesmo como “pormaiores” que honram a verdade e quem as viveu.

António José Carvalho Ferreira
Co-fundador da Secção do Partido Socialista no Barreiro

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