O milagre de 13 de Maio ou um filme de Coppola?Por António Chora
MOITA
O ataque aos trabalhadores é global a resposta também tem que o ser.

Por Jornal Rostos
O 13 de Maio de 2010 vai ficar na história de Portugal, por duas, não, por três diferentes, razões.
A primeira tem a ver com a vinda de Bento XVI, o Papa mais ortodoxo dos últimos anos, o Papa que começou por ameaçar de excomunhão profissionais de saúde que pratiquem abortos legais, que condena o casamento homossexual em pleno século XXI, o Papa que omitiu durante anos e anos os maus tratos e a pedofilia no interior da igreja.
O Papa que no seio da igreja tem uma visão do casamento idêntica à do seu antecessor Gregório VII, que em 1074 d.C, proibiu o casamento de sacerdotes contra o que diz a Biblia, livro sagrado para os católicos e que podemos ler em:
No Antigo Testamento, em Êxodo 28:1 podemos ver que Deus acolhe para sacerdotes Aarão e seus filhos.
Ainda no Antigo Testamento podemos ler sobre as Leis dos Sacerdotes, em Lévito 21:13-14… “ele, o (sacerdote) tomará uma mulher na sua virgindade”.
No Novo Testamento, podemos ler em Timóteo “Tm 3:2-4… ” “ Convém pois
que o Bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher….honesto…hospitaleiro…”. “Que governe bem a sua própria casa…” “Porque se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da Igreja de Deus?”
Ora, continuar a manter o celibato no seio da igreja é afastar do seu seio os jovens católicos que gostariam de ser padres, mas querem constituir familia, é levar para a igreja os que não dando provas “governar a sua própria casa, terá cuidado da Igreja de Deus?”.
Pela tarde como não podia deixar de ser Bento XVI fez criticas ao aborto e ao casamento homossexual, perante alguns milhares de ortodoxos católicos que pelos aplausos se ficou a ver que pouco diferem dos ortodoxos de outras religiões que tem por base o mesmo Deus, é pena e é triste. Triste porque a igreja católica deveria ter um importante papel na defesa dos oprimidos, na defesa da liberdade, na defesa dos trabalhadores, no combate ao latifundio, no direito à terra e a uma verdadeira reforma agrária porque lutam por exemplo os “sem terra do Brasil”.
Verdade seja dita, alguns católicos, sacerdotes e até Bispos, desempenham e desempenharam importante papel na luta social, tanto nas ditaduras Ocidentais, como nas ditaduras existentes na Europa do Leste até 1989, mas isto é infelizmente uma execpção não uma regra.
No mesmo dia, pela manha, junrtaram-se o primeiro ministro-e o seu adjunto, (José Sócrates e Passos Coelho), escreveram uma receita para os males de que padece o país, omitindo que nos ultimos 34 anos, tem sido os seus partidos quem tem desgovernado o país.
A receita é mais do mesmo como não podia deixar de ser, é mais exploração sobre quem trabalha e retirada de direitos aos “malandros dos desempregados”, só falta dizerem que estes não são vitimas das suas receitas, receitas que levaram ao encerramento de empresas, mas sim “gente que goza do direito constitucional de não trabalhar” tal é a liberdade existente no país.
Desta vez, vão ao bolso de todos, de empregados, desempregados, reformados e até dos “politicos” os boys que ganham milhões por ano e que agora, sacrificio dos sacrificios, vão ter que abdicar de 5%, coitadinhos.
A verdade é que o aumento do IVA, vai levar a menor consumo e se por exemplo em Portugal a venda de carros produzidos na Autoeuropa é, fruto dos impostos, reduzidissima, na ordem dos 1,3%, vai ser no futuro ainda menor.
Se a Autoeuropa é uma empresa de relativo sucesso num mundo de deslocalizações, a verdade é que se esta receita pegar pela Europa fora, ela vai ter implicações na produção futura, menos procura menos carros produzidos.
O Conselho de Ministros que teve lugar na tarde deste mesmo dia, reunião a que o Adjunto do Primeiro Ministro, Passos Coelho já não assistiu e decidiuesse Conselho de Ministros aplicar quase todas a receitas combinadas na manhã desse dia e digo quase todas, pois hà duvidas sobre se desse encontro madrugador não sairam novos ataques à legislação laboral que ainda não foram anunicados.
No final desse dia, vimos aparecer nos telejornais os “Policias maus e os Policias bons” como se tivessemos a assistir a um filme mafioso de Coppola, em que um anuncia o assalto à nossa carteira e o outro pede desculpa por tal assalto.
Uma coisa fica clara, o estado a que os antecessores e estas duas figuras conduziram as finanças do país é dramático, não serve responder a este assalto com dogmas ou fugas para a frente no que diz respeito a endividamento externo, uma esquerda que se preze, deve apresentar alternativas viáveis e estas passam por taxar fortemente a fuga de capitais para os off shores, taxar os bancos no mesmo valor de IRC que pagam as restantes empresas, taxar as mais-valias não só dos pequenos investidores em bolsa, mas principalmente as realizadas pelas empresas especuladoras e acima de tudo, aplicar uma taxa relativamente alta sobre os prémios dos gestores privados (controlando se efectivamente descontam) e no caso dos públicos e ou de empresas onde o Estado tenha intervenção directa aplicar a mesma receita.
Porque o Primeiro-ministro Sócrates e o seu Adjunto Passos vão levar o país para o desastre, pois as suas políticas de subserviência ao Capital foram as que nos conduziram à situação que estamos, temos que as combater e esse combate começa na manifestação de 29 de Maio convocada pela CGTP, vamos ver onde termina, mas só pode terminar com a mobilização geral das centrais sindicais a nível mundial, só pode terminar com a mobilização pela Central Sindical Internacional de greves a nível global.
O ataque aos trabalhadores é global a resposta também tem que o ser.
António Chora
Deputado Municipal do Bloco de Esquerda














