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Quotidianos

A TODOS OS AUTARCASANTECIPAÇÃO AO SERVIÇO DA ACÇÃO
POR JOSÉ CARIA
MONTIJO

Na convergência da antecipação e da acção situa-se a prospectiva que coloca o poder público municipal na posição de um navegador que simultaneamente pode e deve:

ANTECIPAR a força e a direcção do vento, a localização de recifes, e os movimentos de outros navegadores que com ele se cruzam , o rodeiam , o envolvem, ou, de algum modo, com ele interferem.

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A TODOS OS AUTARCAS ANTECIPAÇÃO AO SERVIÇO DA ACÇÃO POR JOSÉ CARIA MONTIJO

Por Jornal Rostos

O futuro é simultaneamente território e objecto-alvo de exploração. Daqui decorre a utilidade de velar e antecipar e, em particular, da prospectiva exploratória.
O futuro é território a construir donde decorre a utilidade da prospectiva por vezes apelidada de normativa que nos remete já não para a investigação dos futuros possíveis mas para os futuros desejáveis - para as políticas e estratégias que podem ser postas em prática para realizar os futuros desejáveis.
Na convergência da antecipação e da acção situa-se a prospectiva que coloca o poder público municipal na posição de um navegador que simultaneamente pode e deve:

ANTECIPAR a força e a direcção do vento, a localização de recifes, e os movimentos de outros navegadores que com ele se cruzam , o rodeiam , o envolvem, ou, de algum modo, com ele interferem.

AGIR (não deixando de ter em conta todas as suas próprias forças e fraquezas) para, no mínimo, evitar soçobrar/naufragar, e no máximo, chegar o mais rápido possível a bom porto; Este bom porto é o PROJECTO. A sua realização passa por um exercício de PLANIFICAÇÃO-programação, o estabelecimento de uma estratégia e a adopção de instrumentos de monitorização.
Praticar a prospectiva ( nas mais variadas áreas de intervenção do poder público municipal) provem , em número significativo de casos, de um desejo de antecipação(prospectiva exploratória) cujo objectivo alimenta a reflexão de carácter político ou estratégico (prospectiva normativa ou estratégica).
Há três questões simples a que sempre temos de responder, a saber, O QUE PODE ACONTECER NO FUTURO,O QUE PODEMOS FAZER,O QUE QUEREMOS FAZER .
Responder a estas questões pressupõe atermo-nos previamente a dois princípios:

O futuro não está pré-determinado e está sujeito a diversos futuros possíveis;

os estudos prospectivos tratam de descrever uma panóplia de futuros possíveis evitando e protegendo-se de dois erros :- ver apenas o que nós pensamos estar em linha com as dinâmicas que preconceituámos como adquiridas e em curso, e considerar que tudo é possível sem ter em conta as dinâmicas em curso e os constrangimentos que representam para o hoje e para o amanhã .A prospectiva exploratória descreve futuros possíveis sem pre-julgar os que são desejáveis (o desejável difere segundo os individuos e as organizações nos territórios o que logo influencia o poder público municipal ).

O FUTURO CONSTRÓI-SE; Não resulta unicamente de evoluções desencarnadas mas de acções desencadeadas e efectivadas por diversos actores. A prospectiva pode e tem de ter em conta as interacções da necessidade, do acaso, e das acções humanas. As acções que hoje efectivamos contribuem para a construção do futuro. Isto pressupõe que temos de ter em conta o “jogo dos actores” sendo a sua margem de manobra avaliada obrigatóriamente pelo poder publico municipal.
Quando avançamos para um estudo prospectivo no município, na Peninsula, na Região, não podemos deixar de contar (em termos municipais, regionais) com as diversas margens de manobras dos diversos actores identificando-se alavancagens de acções que permitirão ir numa ou noutra direcção de desenvolvimento municipal, regional. Temos de ser capazes, cada vez mais , de saber em que direcção deseja seguir cada conjunto determinado e interveniente de actores locais/municipais e regionais (sem isto tudo será mais difícil).
Pensar colectivamente o futuro dos territórios municipais, das suas populações, implica dos poderes públicos municipais uma da vez maior aplicação da prospectiva exploratória e normativa/estratégica.

PROSPECTIVAR nos territórios/populações municipais (Municípios) não é PREVER. Isto por três razões e características essenciais, a saber, trata-se de uma acção pluridisciplinar e sistémica ( os problemas não se reduzem a esta ou àquela dimensão - são várias as dimensões; ou a este ou áquele aspecto tratado separadamente (v.g. a demografia separada da economia). Prospectivar é apreender realidades através dos conjuntos das suas dimensões qualquer que seja a sua natureza. Socorrendo-nos da análise de sistemas devemos ser cada vez mais capazes nos Municipios e na Região de considerarmos os fenómenos a partir de estudos de conjuntos e de conjunto dos factores e suas interrelações.

Uma segunda diferença entre prospectivar e prever é o facto de, no primeiro caso se tratar de operações que integram a dimensão do longo prazo (passado e futuro), isto por diversas razões, e, de entre elas, o facto de em qualquer sistema coexistirem variáveis embebidas de grande inércia (parque de alojamentos v.g.) com outras cujas variações interveem em escalas de tempo mais curtas (v.g.mobilidade residencial); pode constatar-se que a análise de longo prazo (passado/futuro)permite eliminar os chamados “efeitos de periodo” e/ou flutuações menores PERMITINDO
APREENDER a dinâmica profunda dos sistemas existentes nos Municipios e na Região. Devemos ter cada vez mais a noção de que se impõe cada vez mais a REFLEXÃO MUNICIPAL E REGIONAL A LONGO PRAZO já que aumenta vertiginosamente o poder tecnológico e as consequências podem ser MUITO PESADAS por certas acções empreendidas e/ou omitidas das realizações municipais e regionais. PROSPECTIVAR implica ainda lidar com as rupturas, tomando em conta fenómenos de descontinuidade impactados ou desejados resultantes de factores como a inovação, a criatividade, o conhecimento, a mundialização, a europeização, a vontade humana de modificar “regras de jogo” etc.etc.etc..
Utilizando uma metáfora podemos dizer (e reflectir em termos municipais/Regional): numa estrada bem conhecida o condutor de uma carroça que se desloca a passo durante a noite pouco mais precisa para iluminar o caminho que uma lanterna tosca; Ao invés, um automóvel que percorre em alta velocidade uma região desconhecida deve estar munido de poderosos faróis: - rolar a alta velocidade sem nada ver seria loucura .

Prospectivar não é prever pois a previsão alicerça-se no precedente, na analogia, na extrapolação do passado -pressupondo um mundo que muda sob leis perenes; estatisticas clássicas, modelos econométricos etc..Prospectivar estrapola as tendências do passado e funciona com modelos (muito variados)atendo-se no essencial a construir de forma inteligente ferramentas de presente e futuro; fixa-se nas rupturas , nos factores quantificáveis e qualificativos.
É isto que temos de ir fazendo cada vez melhor (nas Freguesias, nos Municipios, na Região) sem localismos bacôcos, falsos clubismos vesgos, ou, pior ainda, desbaratando o erário público trompeteando benfeitorias que, em bom rigôr, são desperdício e má gestão(para não ir mais longe).

JOSÉ CARIA (autarca)

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