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Quotidianos

Uma outra perspectiva do BIOMARES (ARRÁBIDA)Por Luís Câmara Pestana
SETÚBAL

Vamos acreditar que os técnicos do Biomares tiveram em conta, analisaram e ponderaram criteriosamente todos os seguintes problemas: que Setúbal tem esgotos a céu aberto, descargas efectuadas paredes-meias com o clube Naval de Setúbal, que há metais pesados no Sado, que há uma Sécil a laborar activamente, que há um enorme tráfego marítimo desde que a Lisnave veio para Setúbal, que as dragas que se vêem com mais regularidade actualmente a menos de uma milha marítima do Portinho da Arrábida e que são causadoras de problemas sobejamente conhecidos, que há elevadíssimo desassoreamento das praias e alteração dos fundos marinhos (problema este que poderá deitar por terra um projecto deste tipo), etc.

Estarão mesmo sanados os problemas para poder avançar com um projecto desta natureza?

4 min de leitura
Uma outra perspectiva do BIOMARES (ARRÁBIDA) Por Luís Câmara Pestana SETÚBAL

Por Jornal Rostos

Muito se tem publicitado e bradado sabe Deus a quem, sobre o projecto Biomares. Manda a sensatez e os bons princípios que só se fale e enalteçam determinados assuntos quando estes chegam ao seu término com verdadeiro e efectivo sucesso (oxalá tenha), até lá, tudo o mais é mero “Show off”.
Haverá razão para tanta badalação e enfatização? 220 novas espécies? Serão mesmo desconhecidas dos portugueses? Estaremos na presença de um novo Charles Darwin…
Os técnicos do Biomares têm alegado constantemente, que as grandes ameaças à zona em causa e que justificam o desaparecimento da seba são: a pesca intensiva com traineiras e grandes redes, o arrasto com ganchorra, a fundeação desordenada das embarcações. Serão estes os principais e grandes problemas?

O desaparecimento de seba é normalmente um sintoma de um enorme problema, estando muitas vezes associado a problemas de poluição, dragagens, predação, etc. há artigos científicos referentes a este assunto.
Muito se tem dito e difamado sobre as amarrações das embarcações, quando desde o início do século passado, sempre houve imensas embarcações no Portinho da Arrábida e nunca houve, até há alguns anos atrás, memória de falta de seba, a julgar entre outras coisas pela quantidade de hippocampus spp. (cavalos-marinhos) existentes. Até aos finais dos anos 80 ainda eram, infelizmente, vendidos secos em quantidade no Portinho da Arrábida, como recordações da zona.

Vamos acreditar que os técnicos do Biomares tiveram em conta, analisaram e ponderaram criteriosamente todos os seguintes problemas: que Setúbal tem esgotos a céu aberto, descargas efectuadas paredes-meias com o clube Naval de Setúbal, que há metais pesados no Sado, que há uma Sécil a laborar activamente, que há um enorme tráfego marítimo desde que a Lisnave veio para Setúbal, que as dragas que se vêem com mais regularidade actualmente a menos de uma milha marítima do Portinho da Arrábida e que são causadoras de problemas sobejamente conhecidos, que há elevadíssimo desassoreamento das praias e alteração dos fundos marinhos (problema este que poderá deitar por terra um projecto deste tipo), etc.
Estarão mesmo sanados os problemas para poder avançar com um projecto desta natureza?

A ideia base do projecto, replantação de plantas, é claramente uma ideia de louvar. Agora que não se tente passar a mensagem que um dos maus da fita são as embarcações de recreio, pois carece de sentido, fundamento e rigor científico, no máximo poderão causar pequenos danos, nunca em larga escala como se tenta fazer crer.
Queremos acreditar que por detrás deste dispendioso projecto esteve um elaborado e exaustivo estudo que
tenha comprovado cientificamente a sua viabilidade.
Aguardemos pelo seu desfecho e que venham de lá esses largos hectares de novas pradarias marinhas.
É preciso ter confiança nos técnicos, mas exige-se que esta equipa identifique e comprove cientificamente as causas para as poderem minimizar e resolver efectivamente este problema. Caso contrário, todo este trabalho e gasto de dinheiros públicos correm sério risco de ser em vão.

Luís Câmara Pestana

Foto - Portinho da Senhora da Arrábida, desembarque.
Editor F.A. Mendes em 1905

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