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A CUF no Barreiro, Realidades, Mitos e ContradiçõesPor Armando Sousa Teixeira, Carlos Alberto e Ercília Talhadas

O mito do patrão amigo dos operários, embora resista no obscurantismo político e cultural da ditadura de 48 anos, e subsista até para além, não resistirá à tomada de consciência sindical e operária da exploração do trabalho mal pago, nem sobreviverá às contradições perenes entre o trabalho e o capital, próprias do sistema capitalista.

A repressão violenta em 1919 irá repetir-se anos adiante, pondo em evidência a verdadeira natureza do regime fascista, criado e alimentado pelo grande patronato reaccionário de que Alfredo da Silva foi presidente e mentor.

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A CUF no Barreiro, Realidades, Mitos e Contradições Por Armando Sousa Teixeira, Carlos Alberto e Ercília Talhadas

Por Jornal Rostos

AMIGO DOS OPERÁRIOS, INIMIGO DOS SINDICATOS?
Desde os primórdios das grandes fábricas da CUF no Barreiro, regista-se a dualidade exploração/paternalismo. O trabalho é duro e muito mal pago, mas logo em 1910 erguem-se as primeiras casas para os operários (só para alguns privilegiados).
A política patronal irá ser sempre de baixos salários ao longo dos tempos, mas constroem-se balneários, lavadouros, a escola primária, a despensa …A acção assume a maior contradição quando se procura incutir o espírito paternalista do “bom patrão”, e simultaneamente se recusa a lei das 8 horas de trabalho diário, uma lei da República de 1911.
A primeira grande luta dos trabalhadores da CUF, em 1910, é uma paralisação de solidariedade com os corticeiros e os descarregadores barreirenses em greve. Trata-se da primordial acção grevista no Barreiro de carácter verdadeiramente reivindicativo. No ano transacto houvera uma movimentação dos corticeiros com apoio do patronato.
As mulheres são chamadas muito cedo ao mercado de trabalho na indústria têxtil-química, talvez logo em 1910, quando a CUF compra os teares da fábrica Aliança confeccionando a sacaria para os adubos, com vencimentos inferiores aos dos homens, sempre! Mas dentro de algum tempo terão o infantário, a creche, o posto médico, a acção social que pretendendo eludir a exploração.
Quando rebenta a grande luta em 1919, com a paralisação das fábricas do Barreiro pela aplicação da lei das 8 horas, a Associação de Classe dos Operários da CUF era muito recente. Fora constituída em Abril desse ano, mas devido às pressões internas da hierarquia intermédia, muito serviçal, tinha uma estrutura débil.
A vertente empreendedora cultivada com apoios políticos oportunistas (Alfredo da Silva foi deputado na Monarquia, senador na República e procurador à Câmara Corporativa de Salazar), bem como a imagem paternalista do “bom patrão”, mitificada para se tornar exemplar no republicanismo conservador e emblemática no fascismo do “estado novo”, esboroam-se nos exemplos violentos de repressão feroz e de autoritarismo implacável e na exploração pura e dura da mão-de-obra carenciada e pouco qualificada.
O mito do patrão amigo dos operários, embora resista no obscurantismo político e cultural da ditadura de 48 anos, e subsista até para além, não resistirá à tomada de consciência sindical e operária da exploração do trabalho mal pago, nem sobreviverá às contradições perenes entre o trabalho e o capital, próprias do sistema capitalista.
A repressão violenta em 1919 irá repetir-se anos adiante, pondo em evidência a verdadeira natureza do regime fascista, criado e alimentado pelo grande
patronato reaccionário de que Alfredo da Silva foi presidente e mentor.

Extraído do livro: A CUF no Barreiro, Realidades, Mitos e Contradições - em Publicação
De Armando Sousa Teixeira, Carlos Alberto e Ercília Talhadas.

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