SABER PARA PODERPor JOSÉ CARIA
Montijo
Quando falamos de ALFABETIZAÇÃO há que ter em conta , pelo menos, no caminho percorrido (e a percorrer) a alfabetização funcional, a alfabetização conscientizante, enfim, a alfabetização como um DIREITO .

Por Jornal Rostos
Há, pelo menos, no Planeta, setenta e dois milhões de CRIANÇAS que não podem exercer o seu direito à educação por causa simplesmente do local onde nasceram
e/ou das famílias a que pertencem.
Milhões de JOVENS deixam a escola sem as competências das quais necessitam para se colocarem no mercado de trabalho.
UM ADULTO EM CADA SEIS está privado do seu direito ao ALFABETISMO.
Há setenta e um milhões de CRIANÇAS com idade para frequentarem a escola secundária que não estão escolarizadas.
SETECENTOS E CINQUENTA E NOVE MILHÕES DE ADULTOS estão desprovidos de competências em matéria de ALFABETISMO(destes , dois terços são mulheres).
Mais de metade dos ANALFABETOS vive em QUATRO PAÍSES, a saber, CHINA, ÍNDIA, PAQUISTÃO, BANGLADESH.
Os países “ricos” contam com nichos de analfabetismo não negligenciável: na Inglaterra, por exemplo, 1,7 milhões de Individuos ( 5% do grupo etário 16/65 anos)têm perfomances inferiores ao nível atingido pelas crianças de sete anos e as perfomances de 5,1 milhões de pessoas são inferiores ao nível atingido pelas crianças de onze anos.
Em PORTUGAL, números de 2001, a percentagem de analfabetos era de NOVE POR CENTO (apesar de forte diminuição nas últimas décadas); ONZE E MEIO POR
CENTO das Mulheres declarava-se analfabetas (6,3% os Homens).
Em Janeiro de 2009, num ranking de 201 Países, PORTUGAL apresentava uma taxa de alfabetização de 93.3 (ocupando a 89ª. posição em 201 Países).
Quando falamos de ALFABETIZAÇÃO há que ter em conta , pelo menos, no caminho percorrido (e a percorrer) a alfabetização funcional, a alfabetização conscientizante, enfim, a alfabetização como um DIREITO .
Há alfabetização sempre que um individuo, um grupo, uma sociedade recorrem à cultura escrita como forma de conhecer e agir sobre o QUOTIDIANO .
TRÊS DIMENSÕES sobressaem quando reflectimos e/ou agimos em ALFABETIZAÇÃO, a saber, dimensões ligadas ao código verbal e à representação simbólica oral e escrita , dimensões ligadas a factores antropológicos
(palavra, pensamento, mente humana, relação entre oralidade e escrita, mecanização da escrita, leitura e escrita), e dimesões histórico-sociológicas (escrita e organização pessoal, ou grupal, escrita e poder e/ou religião, escrita e cultura).
Ou seja, não há ALFABETIZAÇÃO NEUTRAL, nem alfabetização em abstracto. O fenómeno alfabetizador envolve transformações antropológicas, sociológicas e
culturais e TEM IMPLICAÇÕES económicas e de desenvolvimento.
Por isso , e não só , tão importantes são políticas de alfabetização - mundiais, europeias, nacional , regional e local .
Importante se torna cada vez mais fomentar e desenvolver - em termosnacionais- consensos intersectoriais de base em matéria de criação e
desenvolvimento de políticas e estratégias de ALFABETIZAÇÃO, reforçar a contextualização de direito humanos e autonomização dos formandos; Num
contexto mais amplo todas as políticas em curso , e a lançar, devem permitir a participação cada vez maior do conjunto dos sectores ligados a esta problemática(criança, jovens, adultos, última adultícia...) ;Parece-nos necessário a incorporação cada vez mais de formações que levem ao incremento dos rendimentos dos individuos , ao microcrédito, aos rudimentos da saúde, aos direito e
deveres cívicos, à prevenção de doenças ; Igualmente se nos coloca a questão da incorporação de competências gerais e psicosociais, favorecendo a utilização das
tecnologias aplicadas e apropriadas (incluindo as T.I.C.s); Dar particular atenção a certas e localizadas ZONAS RURAIS (saude, protecção do ambiente, desenvolvimento rural...); Encorajar NOVAS INICIATIVAS nos conjuntos e sub-conjuntos dos Programas de Alfabetização, de Pós-alfabetização e EDUCAÇÃO PERMANENTE que possam formar um “continuum” na perpspectiva da “educação ao longo da vida”.
Consideramos importante que os Municípios possam dispôr de mais apoio técnico necessário à concepção e ao desenvolvimento de Programas ADAPTADOS/ADEQUADOS aos seus contextos específicos e próprios, acentuando-se as vertentes da PARIDADE entre sexos e da redução da POBREZA.
Governo, Municípios, Freguesias, Organizações Nacionais e Regionais não-governamentais, OS INTERESSADOS, podem e devem reforçar a consciência e a ACÇÃO que permita a gestão eficaz de recursos (humanos, financeiros, materiais),tendo especial atenção para com individuos de
grupos “marginalizados”, e NÃO desistir de persuadir sectores PRIVADOS nacionais, regionais e locais a facilitarem acções de alfabetização (locais de trabalho,p.ex.) como um dos meios para melhorar a PRODUTIVIDADE assumindo as suas responsabilidades sociais !!!...
Mais proveitoso se tornará se formos capazes de melhorar a sinergias entre educação formal e educação não-formal encorajando mais as possibilidades de prosseguimento das “formações” afim de optimizar o acesso ao ALFABETISMO mas também a sua retenção e a sua utilização no quadro da “educação ao longo da vida”.
No decénio para a alfabetização, no mês do Dia Internacional da Alfabetização (Setembro/8) lembremo-nos do artº. 26 da Declaração universal dos direitos do homem, pensemos e actuemos para diminuir o número dos nossos analfabetos (na Freguesia, no Município, na Região, no País e no Planeta) .
Setembro 2010
JOSÉ CARIA














