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Quotidianos

A VISÃO MESSIÂNICA DO HOMEM PROVIDENCIALPor António José Ferreira, Armando Sousa Teixeira, Carlos Alberto (Carlô)
Barreiro

A indústria química de fertilizantes existia na Europa desde meados do século XIX, Lawes introduziu a produção de adubos em larga escala em Inglaterra, por volta de 1860.

Alfredo da Silva avançou, no início do século XX, num país miserável de agricultura atrasada aproveitando a “Lei da Fome”, publicada pelo governo de João Franco, em 1898, depois de anos de penúria de cereais (e fome!). É a “janela de oportunidade” do empresário e ex-deputado do franquismo, já no período de estertor da monarquia.

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A VISÃO MESSIÂNICA DO HOMEM PROVIDENCIAL Por António José Ferreira, Armando Sousa Teixeira, Carlos Alberto (Carlô) Barreiro

Por Jornal Rostos

A indústria química de fertilizantes existia na Europa desde meados do século XIX, Lawes introduziu a produção de adubos em larga escala em Inglaterra, por volta de 1860.
Alfredo da Silva avançou, no início do século XX, num país miserável de agricultura atrasada aproveitando a “Lei da Fome”, publicada pelo governo de João Franco, em 1898, depois de anos de penúria de cereais (e fome!). É a “janela de oportunidade” do empresário e ex-deputado do franquismo, já no período de estertor da monarquia.
Tal era a situação em 1907, quando se inicia a construção das primeiras fábricas da CUF no Barreiro. O engenho de Alfredo da Silva foi ter substituído a nível nacional, a filosofia comercial tradicional (só se produzia em pequenas fabriquetas o que garantidamente se vendia), pelo princípio da produção em larga escala, incentivando as vendas a preços mais baixos, aumentando o consumo e arrasando a concorrência. Arrastando os preços de sabões, óleos, azeites, estearina, fertilizantes, leva à ruína as pequenas empresas de produção familiar que foram posteriormente compradas por “tuta-e-meia” e encerradas. A imprensa da época chama-o de “açambarcador”.
Trata-se afinal da aplicação da lei da concentração capitalista, já antes identificada e caracterizada por Karl Marx, típica do sistema económico baseado no mercado e no lucro, tal como continua a ser aplicada nos nossos dias (os tubarões engolem os peixes mais pequenos, sem piedade nem dó e engordam).
Foi isto que o patrão dos patrões protagonizou nas primeiras décadas do século XX. A sua entrada para a administração verificou-se em 1898, quando da fusão da Companhia União Fabril com a Aliança Fabril. Quando ficou sozinho no novel mercado da química industrial, aumentou os preços e a CUF começou a enriquecer.
Não houve milagres, nem messias, nem homens providenciais, simples gestão capitalista e proteccionismo estatal!

Extraído do livro: A CUF no Barreiro, Realidades, Mitos e Contradições -
dos autores barreirenses: António José Ferreira, Armando Sousa Teixeira, Carlos Alberto (Carlô)
(em Publicação)

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