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Quotidianos

A I REPÚBLICA E O MOVIMENTO OPERÁRIO NO BARREIROPor Armando Sousa Teixeira
Barreiro

A vila operária em crescimento estava na vanguarda das novas lutas que iriam prosseguir: «Vilas como o Barreiro, apresentam antes mesmo do 5 de Outubro, aquele carácter de «bastião vermelho»(…) As indústrias foram uma das condições da massificação, ao nível do conjunto do tecido proletário, dos objectivos de luta mais avançados»

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A I REPÚBLICA E O MOVIMENTO OPERÁRIO NO BARREIRO Por Armando Sousa Teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos

O Barreiro do início do século XX é uma terra progressiva, com cerca de 8000 habitantes, situada na margem esquerda do Tejo calmo e rico, frente à capital do império. Interface ferroviário com o Sul desde 1861, com mais de uma dezena de fábricas de cortiça, contando a partir de 1907, com o complexo químico da CUF, o Barreiro torna-se na mais importante concentração proletária da zona da grande Lisboa.
O incremento da indústria arrasta consigo o desenvolvimento do comércio e dos serviços, bem como a dinamização da construção civil, esgotando a mão-de-obra disponível. A vila tornar-se-á um chamariz para assinaláveis movimentos migratórios, fugindo à fome extensa do Alentejo e do Algarve, ou desertando das pequenas leiras arruinadas das Beiras e do Minho, que trazem à região gentes de diferentes ideias e crenças, produzindo uma miscelânea de educações e culturas.

Ainda antes da implantação da república, registam-se movimentos grevistas de corticeiros, ferroviários, descarregadores e até de operários da novel Companhia União Fabril. A concentração industrial e operária, gerava as condições objectivas, sociais e políticas, para o aparecimento destas lutas. Os trabalhadores lutavam pela necessidade de melhorar as condições de vida e de trabalho, de suprir a subsistência diária difícil em habitações paupérrimas, de minimizar as jornadas duríssimas em locais inóspitos, num mundo sem protecção social. Mas faziam-no também porque tinham sido despertos pela propaganda republicana, que prometia o «bacalhau a pataco» e o despontar de uma «Nova Aurora».
A vila operária em crescimento estava na vanguarda das novas lutas que iriam prosseguir: «Vilas como o Barreiro, apresentam antes mesmo do 5 de Outubro, aquele carácter de «bastião vermelho»(…) As indústrias foram uma das condições da massificação, ao nível do conjunto do tecido proletário, dos objectivos de luta mais avançados».[1]
Feita a República, o Movimento Operário no Barreiro não esmorece, continuando os corticeiros, os ferroviários, os descarregadores, os operários químicos da CUF, a lutar com novo empenho e determinação, em greves e paralisações ao longo do ano de1911: «…o mundo do trabalho (…) tinha expectativas elevadas em torno do que o novo regime poderia -e deveria - fazer, para responder às suas reivindicações ».[2]

[1] Manuel Vilaverde Cabral, Portugal na Alvorada do século XX, Lisboa, A Regra do Jogo, 1979.

[2] Maria Alice Samara, À espera da Nova Aurora, jornal Público, 1/9/10.

Armando Sousa Teixeira
Escritor e investigador da História local

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