O TiriricaPor António Chora
Moita

Por Jornal Rostos
A eleição de um palhaço profissional para o Palácio do Planalto no Brasil, veio provar que em politica tudo é possível e isto não é um desvalorizar a profissão que ainda me faz ir ao maior espectáculo do mundo, o circo, pelo menos uma vez por ano, é antes o tentar compreender se este voto é um voto de descontentamento na politica, se um saudosismo da ditadura que lá como cá governou o povo, ou se é apenas uma tentativa de consumar o Circo como Poder, mas de que nos admiramos?
Afinal, nas eleições de 2009, também os nossos eleitores elegeram um “Tiririca”, só que mais grave, deram-lhe o Governo de Portugal. No inicio deste segundo mandato sem maioria absoluta, o nosso “Tiririca” falava e o pessoal ria das contradições, ele falava de novo e o pessoal à força de tanto o ouvir, já confundia “Tiririca” com o bonequinho de ficção de Carlo Lorenzini que em 1881 publica o primeiro capitulo de “Storia di un burattino" (História de um Boneco) - primeiro título das aventuras de Pinóquio , sinceramente a mim não me agrada esta comparação, pois desprestigia o “buratttino” de Lorenzini.
Penso que por tudo o que tem sido o Governo deste pais, mais parecemos estar no seio do espectáculo onde os verdadeiros Tiriricas actuam, o espectáculo do Tiririca que nos dá música, do Tiririca pobre, do Tiririca esperto e do Tiririca rico, também ali o Tiririca esperto se desenrasca (faz mal e pede desculpa) e o Tiririca pobre sofre nas mãos dos três Tiriricas, o rico, o esperto e o tocador de clarim.
A nossa governação assemelha-se cada vez mais a este espectáculo, só que com uma dose de dramatismo que o maior espectáculo do mundo não tem. Ele é o drama dos pobres cada vez mais pobres, ele é o drama das reformas miseráveis, dos medicamentos cada vez mais caros, o drama de ver cada vez sobrar mais mês no fim do ordenado, do subsídio de desemprego ou da reforma, ele é o drama de ver os “Tiriricas ricos” cada vez mais ricos à custa da grave ofensiva sobre a população mais pobre e desprotegida.
Esta é uma governação que está a deixar o país de “tanga” à custa do seguidismo das políticas dos “Tiriricas” que nos governam a partir de Bruxelas, são estes que mandam no maior espectáculo do mundo que é a economia e as finanças globalizadas num sentido apenas, o da exploração.
È urgente tirar da politica nacional e europeia os “Tiriricas”, pois eu não acredito na palavra de ordem que levou no Brasil há eleição do Tiririca e que era recordo “com Titirica pior não fica”, em Portugal e na Europa “Tiriricas” lançaram na miséria milhares de trabalhadores e cidadãos em geral, criaram uma nova classe de pobres, os pobres que tem emprego mas não rendimento suficiente, os 20 milhões de desempregados e os milhares de desalojados por não poderem pagar as rendas ou empréstimos.
Compete-nos a nós representantes dos trabalhadores tudo fazer em Portugal e na Europa para acabar com este espectáculo, compete-nos a nós lutar por uma jornada europeia de paralisações, protestos, manifestações e mobilizações para o derrube dos falsos “Tiriricas”, pois com eles tudo pior fica.
Começámos esta luta a 29 de Maio, continuou a 29 de Setembro, devemos agora ampliá-la com a greve geral de 24 de Novembro, espero que UGT e CGTP vão para ela unidos e unidos a consigam levar até Bruxelas.
Parar a Europa para combater estar políticas, deve ser a palavra de ordem a partir de 25 de Novembro.
Baixa da Banheira, 4 de Outubro de 2010
António Chora
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa














