«Mais cego que o cego é o que não quer ver»Por Joaquim Escoval
Barreiro
Uma oportunidade soberana se apresenta agora a todos nós para dar expressão nacional ao descontentamento que grassa na nossa sociedade, a greve geral marcada pela CGTP para dia 24 de Novembro e que já conta com adesão de sindicatos da UGT.

Por Jornal Rostos
E vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo
Calai-vos que pode o povo
Querer um mundo novo a sério
( António Aleixo)
As sondagens valem o que valem e com frequência os eleitores se encarregam de as desmentir sendo o as ultimas eleições presidenciais brasileiras o caso mais recente.
No entanto a margem de erro nunca é muito superior a dois digitos pelo que a indicação de voto que sugerem não anda muito afastada da realidade.
Vem isto a propósito das ultimas sondagens apontarem para que em Portugal aos dois maiores partidos políticos, PS e PSD, serem atribuidos indices acima dos 30% o que indica que uma maioria clara dos portugueses continuaria a apoiar estes partidos e as politicas , bem semelhantes apesar do escarcéu que efectuam, que apregoam.
Mas estaremos todos cegos ou gostamos mesmo de fazer de cegos?
Acaso não foram as politicas efectuadas por gente destes dois partidos por vezes apoiados no CDS/PP que conduziram o país a este estado de permanente penúria para a maioria do povo, que outros bem que tem engordado á sombra da crise?
Não foram eles que quase acabou com a nossa agricultura, com a nossa pesca, e com a nossa industria seja ela metalomecânica pesada, construção e reparação naval, o material circulante ou outras?
Não foram eles que conduziram a justiça, o ensino e a saúde ao triste estádio actual?
Das 100 cuja recuperação agora se inaugurou quantas foram no interior e quantas foram no litoral? Não continuámos a aumentar as assimetrias regionais contrariando mais uma vez as promessas feitas?
As alterações á legislação laboral sem qualquer beneficio para os trabalhadores e suas organizações também não foram obra desses senhores?
Não foram eles que apoiaram a guerra do Iraque apoiada em mentiras como hoje bem se sabe, enquanto nada dizem por exemplo sobre à recente tentativa de golpe de estado no Equador?
Mesmo no desporto não vemos quem preside á FPF e quem se imiscuiu nas suas actividades, e a que partidos pertencem, e o triste espectáculo que deram com a selecção nacional? Gilberto Madail e Laurentino Dias não tem culpas?
Será que não nos questionamos todos sobre a vergonha, ou a falta dela, que tem alguns dos que governam ou governaram quando nos procuram fazer esquecer que também eles foram governantes e responsáveis, dos maiores por tudo isto, vindo agora do alto das suas provectas idades, tecer criticas, apontar caminhos e exigir mais sacrifícios sempre aos mesmos?
Será que nos podemos esquecer que Cavaco Silva, Eduardo Catroga, Medina Carreira e ou Ernâni Lopes para só citar alguns tiveram altas responsabilidades governamentais ?
E quando alguns deles ainda com 77 anos como Ernani Lopes são nomeados ,em acumulação com as suas chorudas pensões de reforma, para administradores de empresas ligadas à EDP?
Como será fácil diminuir os rendimentos aos reformados quando se recebem simultaneamente várias pensões de reformas e todas em valores consideráveis ou se é reformado com muito menos de 55 anos como o ex admnistrador do BCP ou o Vasco Franco ex vereador da CML por exemplo?
E não vemos quem compõem o ramalhete dos indiciados e por vezes, raras é certo, até condenados nos sucessivos escândalos que abalam a sociedade portuguesa?
Os casos do Portucale, do Freeport, da Casa Pia dos BPN, BPP, BCP, SLN e apitos de todas as cores não nos dizem nada? Ninguem esteve envolvido neles? Os Dias Loureiro, os Valentim Loureiro, as Fátima Felgueiras entre outros existem e, se não quisermos ser cegos, podemos, sem muito esforço, saber quem os nomeou e os apoiou nas suas candidaturas a diversos cargos públicos.
E quem enche os estádios e venera atletas e artistas estrangeiros os montões e, pior ainda aos milhões, não pensa que a crise também se devia refletir nessas contratações que fazem sair muitos milhões do pais em troca da miragem duma vitória que sorri sempre aos mesmos e raramente alem fronteiras?
O rol de responsabilidades a assacar a estes senhores e as suas organizações seria enorme, mais do que suficiente para que a uma só voz dissesse-mos basta e travássemos esta turba que continuamente nos reduz salários, pensões direitos e regalias.
Temos o que a maioria quis, o voto colocou muitas destas almas (há muitos que não estão nos seus cargos por força do voto mas por nomeação ) nos sítios onde estão para nosso mal.
Teremos o que quisermos e nisso a história portuguesa é suficientemente rica.
Mesmo que aparentemente adormecido o povo português sempre soube levantar-se em diversas épocas históricas para correr com os invasores e os Migueis de Vasconcelos que por cá quiseram vingar á custa de todos nós.
Uma oportunidade soberana se apresenta agora a todos nós para dar expressão nacional ao descontentamento que grassa na nossa sociedade, a greve geral marcada pela CGTP para dia 24 de Novembro e que já conta com adesão de sindicatos da UGT.
Há que mudar de politicas e de actores, e se a luta desse dia para tal não bastar saberemos encontrar outros dias, outras formas, e outras dimensões para que tal seja conseguido para bem de Portugal e do seu povo honesto e trabalhador.
Joaquim Escoval














