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Quotidianos

O ENCONTRO COTEC E A REALIDADE PORTUGUESAPor João Pedro Soares
Barreiro

A inovação tecnológica que a COTEC apresenta como mola impulsionadora do próprio desenvolvimento deverá ser posta ao serviço de todas as empresas nacionais e para isso tenho a certeza de que a CPPME terá todo o gosto em ouvir as suas propostas para a melhoria das performances das Micro e Pequenas Empresas Portuguesas, desde que a COTEC as assuma como essenciais à construção de um Portugal mais desenvolvido.

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O ENCONTRO COTEC E A REALIDADE PORTUGUESA Por João Pedro Soares Barreiro

Por Jornal Rostos

A propósito da minha presença, em representação da CPPME (Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas), no VI Encontro da COTEC Europa, realizado no passado dia 7 de Outubro na Casa da Música da cidade do Porto, resolvi extrapolar para as linhas da escrita a relação entre a minha visão, o meu pulsar e sentir, acerca do que ali se passou, com os tempos conturbados que a economia Portuguesa vai vivendo.
A COTEC é uma Fundação de origem empresarial que tem como objectivo contribuir para o desenvolvimento de alguns países, mediante o fomento da inovação tecnológica ao nível das empresas desses mesmos Estados que a compõem, uma vez que a COTEC Europa alberga filiais em Portugal, Espanha e Itália, conferindo-lhe um carácter “pitorescamente” latino, em que parece haver uma clara assunção que as questões de uns são verdadeiramente similares às dos outros e em que os patamares de desenvolvimento são traduzidos duma forma mais ou menos uniformizada, quando todos sabemos que tal situação não acontece.

Assim, independentemente de me ter sentido honrado em representar a CPPME naquele encontro não posso, no entanto, deixar de referir a quantidade de hipocrisias que ali foram produzidas. Desta forma, todos nós fomos bombardeados nos telejornais da passada quinta – feira, 7 de Outubro, com o facto do nosso Presidente da República ter referido no seu discurso de ocasião, que as Pequenas e Médias Empresas nacionais (PME´s) deviam ser alvo de forte investimento estratégico por parte dos decisores políticos, nomeadamente do Governo. Daqui questiono, quais PME´s ? Os cerca de 2% de compõem o lote de Médias Empresas ? As que lá estavam representadas ? Ou a maioria do tecido empresarial Português, composto de Micro e Pequenas Empresas ? que ele, como primeiro ministro, há mais de vinte anos atrás, nunca teve a coragem de incentivar, apesar de ter disposto da mais soberana oportunidade para lavar completamente a face de um Portugal sub – desenvolvido, que nessa altura relembro, foi inundado de fundos comunitários que deveriam ter servido para uma completa reestruturação do panorama empresarial nacional, com claro incentivo à generalidade do mercado interno nacional, em vez de ter funcionado para abate de muitos e muitos hectares de produção agrícola nacional ou de frotas pesqueiras, que hoje muita falta fazem para o combate contra os défices das balanças comerciais com o exterior, para além de ter promovido o inicio das politicas que viriam a instalar metros e metros quadrados de grandes superfícies e mega centros comerciais, que viriam a absorver as actividades de muitos Micro e Pequenos Empresários do sector do Comércio, eles puros consumidores da produção nacional, ao contrário dos primeiros, que vão ao “fim do mundo” para poderem oferecer ao consumidor o “veneno” do produto mais barato, que é pago posteriormente pelo conjunto dos Portugueses com a falência da economia nacional.

Creio, pelo que fui ouvindo e vendo, apesar da retórica das palavras produzidas pelos mais variados discursos, que teimosamente vão ignorando e misturando as questões das Micro e Pequenas Empresas, com a outra “galáxia” onde se situam as Médias e Grandes Empresas, o VI Encontro COTEC Europa teve o objectivo não de ajudar a alterar o “status quo” vigente, mas continuar a prestar vassalagem a alguns dos mais importantes grupos económicos nacionais por lá representados, com direito a assento nas primeiras filas da plateia do evento, como são exemplo o Dr. Paulo Azevedo, em representação da SONAE, o Dr. Francisco Pinto Balsemão, em representação do maior Grupo privado de comunicação social, a Impresa ou o Sr. Américo Amorim, em representação do seu próprio Grupo, não deixando igualmente de referir que a esmagadora maioria da plateia era composta pelos representantes das maiores empresas da nossa praça. Talvez por isso mesmo, vimos o Director Geral da COTEC Portugal, Dr. Daniel Bessa, a ensaiar um discurso em que só a internacionalização da economia lhe interessa e em que parece não ter a mínima noção das características do tecido empresarial nacional composto essencialmente de Micro e Pequenas Empresas (97%), que laboram, na sua maioria, para e com o mercado interno, quando diz que as empresas Portuguesas necessitam de se auto examinarem recorrendo aos serviços de consultores. Mais uma vez questiono, será que o Dr. Daniel Bessa tem noção da situação para que foram conduzidas as Micro e Pequenas Empresas deste país ? Acha que actualmente existe capital nestas empresas para poderem pagar serviços realmente profissionais de consultoria ? Ou estaria a falar para a verdadeira plateia presente, apesar de encher a boca com as PME´s ?
Por sinal, em Portugal, as Micro Empresas, aquelas que muitos actores politico - económicos deste país insistem em ir omitindo nos seus discursos e se esquecendo na sua praxis, detêm na árvore empresarial nacional e ao lado das suas colegas Pequenas e Médias, apenas, o módico número de 80% de “share”. Será que por serem empresas, na sua maioria, exclusivamente de laboração nacional, deixam de ter a importância que os números nos obrigam a atribuir-lhes ?
Caro Director Geral da COTEC Portugal, o país necessita de dar importância ao seu mercado interno, entendê-lo, de uma vez por todas, pô-lo a produzir, por forma a importarmos cada vez menos produtos, com o objectivo de passarmos a ter balanças comerciais menos negativas, para que não tenhamos que nos endividar cada vez mais. Esta sim, deveria na minha opinião, de ser a prioridade das prioridades ! Com este tipo de estratégia, de certeza que mais empresas teriam, no futuro, capacidade para poderem vir a investir na sua própria internacionalização, sem, na sua generalidade, virem a absorver aquelas que tenderiam sempre a se manterem no labor do mercado interno, como são geralmente as empresas do sector do comércio.
A inovação tecnológica que a COTEC apresenta como mola impulsionadora do próprio desenvolvimento deverá ser posta ao serviço de todas as empresas nacionais e para isso tenho a certeza de que a CPPME terá todo o gosto em ouvir as suas propostas para a melhoria das performances das Micro e Pequenas Empresas Portuguesas, desde que a COTEC as assuma como essenciais à construção de um Portugal mais desenvolvido.

João Pedro Soares
Presidente da ACISBM (Associação de Comércio, Indústria e Serviços do Barreiro e Moita)
Vice – Presidente da CPPME (Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas)

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