A República e a Instrução (para o 5 de Outubro na ESSA)Por António José Ferreira
Barreiro

Por Jornal Rostos
Minhas senhoras e meus senhores, perdoe-se-me o abreviar do protocolo, mas hoje é a Festa da República e a República é o Reino do Iguais:
Como tributo para o incomensurável património da nossa Cultura vou iniciar esta breve alocução pelo estro do grande Camões:
“Esta é a ditosa Pátria minha amada” - avisando, no entanto com a perspicácia de Almada que é também:
” O país onde todos enchem a barriga de Camões, foi o país em que Camões morreu de fome”.
A República, de que estamos a comemorar o centenário, elegeu, pelo menos em desígnio, a Instrução e a Educação como objectivos fundamentais ao compreender que, para consumar a tríplice divisa Liberdade – Igualdade – Fraternidade, teria que contar com cidadãos formados, informados e de plena consciência, pois só o ser humano nesta conformidade é capaz de decidir por si próprio
Foi, por isso, em boa hora tomada esta iniciativa de assinalar os cem anos da República com a inauguração de cem escolas novas ou completamente restauradas, de tal modo que se poderá falar de espaços fisicamente novos sem trair o espírito e a cultura própria com que devotamente têm servido a comunidade e logo a Res Publica.
Como professor desta Escola há trinta anos e Presidente do seu Conselho Geral, não posso deixar de, em nome da Comunidade Educativa que ele representa, saudar efusivamente este dia 5 de Outubro, ainda que o tempo e o modo não estejam totalmente de feição ao pleno sucesso económico e financeiro da República, problema com que se tem debatido cronicamente e que foi uma das primeiras causas do mais longo interregno, de quarenta e oito anos, das liberdades públicas nesta Pátria que merece melhor sorte.
Mas como a sorte também pode ser obra humana e é para isso que devem servir a Educação e a Escola, que mais do que o importantíssimo adestramento profissional deverá cuidar de formar cidadãos no espírito crítico que lhes permita exercer e fazer exercer a ética republicana, infelizmente sempre mais propalada do que praticada e cuja educada capacidade de escolher possa recair sobre as opções e os intérpretes mais aptos para nos recolocar colectivamente, como velha nação de nobre povo, na senda do Progresso, que a República tão afanosamente demandou.
Em nome da Comunidade Educativa representada pelo Conselho Geral da Escola Secundária de Santo André, quero manifestar o meu profundo reconhecimento e regozijo por esta obra que ora se inaugura.
Assim ela tenha condições para poder cumprir em plenitude, a sua elevada e utilíssima missão.
VIVA A REPÚBLICA!
António José Ferreira
Presidente do Conselho Geral da Escola Secundária de Santo André
- Esta foi a intervenção efectuada enquanto Presidente do Conselho Geral da Escola Secundária de Santo André no Barreiro, no passado dia 5 de Outubro, por ocasião da Cerimónia de Inauguração das suas novas instalações.














