REPÚBLICA E MONARQUIAPor Armando Sousa Teixeira
Barreiro

Por Jornal Rostos
A existência no Barreiro de um forte núcleo de apoio às ideias republicanas, em confronto com a prática politica da monarquia liberal, conservadora e caduca, está consubstanciada na realização no dia 10 de Dezembro de 1909, de um comício de propaganda no Centro Republicano Dr. Estevão de Vasconcelos, organizado pelo Grémio Mocidade Liberal e pela Comissão Municipal Republicana. Participam Cupertino Ribeiro e António José de Almeida, que proclama :« A República salvará o País, e da hecatombe que ela produzir apenas sairá um cadáver -o do regime monárquico».
Muitos barreirenses tinham aderido à causa republicana, sobretudo trabalhadores ferroviários. De um modo geral a classe operária há muito estava desligada da monarquia : «E se [ a velha burguesia local ] politicamente continuava a dominar a vida política do Barreiro, embora com alguns problemas, mostrava-se já incapaz de travar a ascensão do republicanismo e evitar o aparecimento das ideias socialistas», escrevia-se no Ávante!, jornal socialista nos princípios de 1910. [3]
Na madrugada do dia 4 de Outubro, antecipando os acontecimentos magníficos do dia seguinte em Lisboa, foi hasteada a bandeira bicolor , de inspiração maçónica, nos Paços do Concelho, sendo formada a Junta Revolucionária do Barreiro, constituída por Caetano da Silva, João Pimenta, Joaquim Ferreira, José Veloso, José da Costa e Ricardo Alberty.
No dia 5, paralisa a circulação ferroviária e fluvial, param as fábricas e oficinas, o povo está na rua entre vivas e foguetes, e acompanha entusiástico, uma força de marinheiros que se desloca a Vale de Zebro. O objectivo é impedir a consecução da ordem do rei D. Manuel II, para a escola de Torpedos e Electricidade assegurar o torpedeamento dos dois cruzadores sublevados no Tejo. A Unidade rende-se e o comandante pró-monárquico suicida-se.
Os tempos que se vivem a seguir, de grande euforia e adesão ao Partido Republicano Português, fundado em 1875, enfraquecem momentaneamente as correntes político-operárias (anarquistas, socialistas e sindicalistas revolucionários). Mas, simultaneamente, aumentam as esperanças e as expectativas dos trabalhadores no prometido aprofundamento da democracia e sobretudo na satisfação das grandes questões sociais : A melhoria das condições de vida e de trabalho, incluindo o direito à greve, a protecção social, as 8 horas de trabalho diário, o sufrágio universal.
São as sentidas reivindicações de uma classe trabalhadora barreirense em rápido crescimento e tomada de consciência política. Mesmo que a ilusão momentânea leve um cronista coevo a afirmar :…«os trabalhadores vão trabalhar para si próprios, acaba a exploração da burguesia capitalista ». [4]
Armando Sousa Teixeira
[3] Ávante! Nº 4, de 9 de Janeiro de 1910
[4] Jorge Teixeira, «Este Barreiro que eu vi»














