Dia 24 de NovembroQuem pode ficar indiferente
Por Vicente Merendas
Moita
a Brisa 401, 7 milhões, mais 282%, a GALP 266 milhões, quase mais 50%, a PT 5.617 milhões, mais 112%; a Jerónimo Martins 193 milhões, mais 40% e por aí fora!
Neste contexto, a Greve Geral, convocada para o dia 24 de Novembro, assume enorme relevância.

Por Jornal Rostos
Os partidos da política de direita, que há mais de 30 anos andam a fazer e a aplicar orçamentos à medida dos desejos do grande capital, simularam neste orçamento discordâncias e divergências insanáveis entre si, trocando acusações, ambos atirando areia para os olhos dos portugueses e procurando uma vez mais iludi-los, ou seja, ambos representando na perfeição os papéis que a cada um estão confiados.
E a prova de que, ambos estão de acordo, é que, em toda esta guerra verbal não se lhe ouviu, nem a um nem a outro, uma só palavra sobre o corte nos salários, no subsídio de desemprego, no abono de família, o aumento do IVA, isto é, sobre qualquer das medidas que fazem recair sobre os trabalhadores e o povo as terríveis consequências da política de direita.
É certo que quando se acusam um ao outro de responsáveis por esta situação, ambos estão cheios de razão. Pode dizer-se, mesmo, que têm toda a razão do lado eles, porque de facto, são eles, e só eles, que há mais de três décadas sucessivas ocupam o poder. Um e outro mostraram o que valem: e o que valem é o estado de desgraça a que fizeram chegar o país.
Foi aprovado um orçamento que atinge duramente os rendimentos do trabalho, todas as reformas e pensões, sem excepção, mesmo as mais baixas, mas também os rendimentos das camadas intermédias da população portuguesa. Que ataca com ferocidade os trabalhadores da Administração Central e Local, mas que abrangerá todos os outros trabalhadores com o aumento dos impostos e dos preços e promovendo uma redução acentuada do poder de compra das grandes massas populares.
Um orçamento que acrescentará ainda mais crise à crise existente, pondo em causa a sobrevivência de milhares de micro e pequenas empresas, designadamente as que trabalham para o mercado interno.
Diziam eles que os mercados iriam estrangular o país com as taxas de juros. O que é que aconteceu? Orçamento aprovado e no dia seguinte os juros da dívida bateram um recorde histórico.
Estes executantes e mandantes da política de direita, difundem a falsa ideia de que esta política de afundamento de Portugal é uma «inevitabilidade» à qual não há alternativa.
Ora como o PCP tem vindo a demonstrar e a apresentar propostas, há um alternativa. É preciso por Portugal a produzir, e a criar emprego! Apoiar e valorizar prioritariamente o Portugal que produz, assegurando uma justa repartição da riqueza criada, é a grande alternativa à política de contínuo empobrecimento dos portugueses e de endividamento do país.
Existem políticas e existem soluções!
A comunicação social nas mãos dos senhores do dinheiro, silenciaram as medidas que o PCP propôs que garantiam desde já 3.000 milhões de euros, libertando os trabalhadores e o povo de mais sacrifícios.
Claro que o PS e PSD querem manter intocáveis os privilégios e as condições de acumulação do lucro pelos principais grupos económicos e financeiros. Com mais de 90% da factura dirigida aos trabalhadores, alvos directos das medidas de aumento da receita (1.700 milhões de euros) quer do corte da despesa (3.420 milhões de euros) o grande capital vê, uma vez mais, os seus interesses acautelados.
É cada vez mais evidente que nem a crise é para todos, nem é para todos a pagarem. A semana passada foram publicados os lucros da banca e dos grandes grupos económicos.
É um escândalo quando se pede ao povo tantos sacrifícios! Os quatro maiores bancos arrecadaram 4 milhões e 100 mil euros por dia nestes primeiros nove meses de 2009;
a Brisa 401, 7 milhões, mais 282%, a GALP 266 milhões, quase mais 50%, a PT 5.617 milhões, mais 112%; a Jerónimo Martins 193 milhões, mais 40% e por aí fora!
Neste contexto, a Greve Geral, convocada para o dia 24 de Novembro, assume enorme relevância.
Trata-se da resposta dos trabalhadores para pôr travão à ofensiva que o Governo PS, com o apoio do PSD e a conivência do CDS, desenvolve contra as suas condições de vida e os seus direitos sociais essenciais.
É preciso que os trabalhadores, os diversos sectores alvo da política em curso e as populações façam ouvir a sua voz, façam sentir a sua força, contribuindo para que o protesto de mudança tenha na Greve Geral um momento alto de afirmação! É tempo de dizer basta!
Vicente Merendas
Membro da Direcção Regional de Setúbal do PCP














