Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Dia 24 de NovembroQuem pode ficar indiferente
Por Vicente Merendas
Moita

É um escândalo quando se pede ao povo tantos sacrifícios! Os quatro maiores bancos arrecadaram 4 milhões e 100 mil euros por dia nestes primeiros nove meses de 2009;
a Brisa 401, 7 milhões, mais 282%, a GALP 266 milhões, quase mais 50%, a PT 5.617 milhões, mais 112%; a Jerónimo Martins 193 milhões, mais 40% e por aí fora!
Neste contexto, a Greve Geral, convocada para o dia 24 de Novembro, assume enorme relevância.

5 min de leitura
Dia 24 de Novembro Quem pode ficar indiferente Por Vicente Merendas Moita

Por Jornal Rostos

Os partidos da política de direita, que há mais de 30 anos andam a fazer e a aplicar orçamentos à medida dos desejos do grande capital, simularam neste orçamento discordâncias e divergências insanáveis entre si, trocando acusações, ambos atirando areia para os olhos dos portugueses e procurando uma vez mais iludi-los, ou seja, ambos representando na perfeição os papéis que a cada um estão confiados.
E a prova de que, ambos estão de acordo, é que, em toda esta guerra verbal não se lhe ouviu, nem a um nem a outro, uma só palavra sobre o corte nos salários, no subsídio de desemprego, no abono de família, o aumento do IVA, isto é, sobre qualquer das medidas que fazem recair sobre os trabalhadores e o povo as terríveis consequências da política de direita.
É certo que quando se acusam um ao outro de responsáveis por esta situação, ambos estão cheios de razão. Pode dizer-se, mesmo, que têm toda a razão do lado eles, porque de facto, são eles, e só eles, que há mais de três décadas sucessivas ocupam o poder. Um e outro mostraram o que valem: e o que valem é o estado de desgraça a que fizeram chegar o país.
Foi aprovado um orçamento que atinge duramente os rendimentos do trabalho, todas as reformas e pensões, sem excepção, mesmo as mais baixas, mas também os rendimentos das camadas intermédias da população portuguesa. Que ataca com ferocidade os trabalhadores da Administração Central e Local, mas que abrangerá todos os outros trabalhadores com o aumento dos impostos e dos preços e promovendo uma redução acentuada do poder de compra das grandes massas populares.
Um orçamento que acrescentará ainda mais crise à crise existente, pondo em causa a sobrevivência de milhares de micro e pequenas empresas, designadamente as que trabalham para o mercado interno.
Diziam eles que os mercados iriam estrangular o país com as taxas de juros. O que é que aconteceu? Orçamento aprovado e no dia seguinte os juros da dívida bateram um recorde histórico.
Estes executantes e mandantes da política de direita, difundem a falsa ideia de que esta política de afundamento de Portugal é uma «inevitabilidade» à qual não há alternativa.
Ora como o PCP tem vindo a demonstrar e a apresentar propostas, há um alternativa. É preciso por Portugal a produzir, e a criar emprego! Apoiar e valorizar prioritariamente o Portugal que produz, assegurando uma justa repartição da riqueza criada, é a grande alternativa à política de contínuo empobrecimento dos portugueses e de endividamento do país.
Existem políticas e existem soluções!
A comunicação social nas mãos dos senhores do dinheiro, silenciaram as medidas que o PCP propôs que garantiam desde já 3.000 milhões de euros, libertando os trabalhadores e o povo de mais sacrifícios.
Claro que o PS e PSD querem manter intocáveis os privilégios e as condições de acumulação do lucro pelos principais grupos económicos e financeiros. Com mais de 90% da factura dirigida aos trabalhadores, alvos directos das medidas de aumento da receita (1.700 milhões de euros) quer do corte da despesa (3.420 milhões de euros) o grande capital vê, uma vez mais, os seus interesses acautelados.
É cada vez mais evidente que nem a crise é para todos, nem é para todos a pagarem. A semana passada foram publicados os lucros da banca e dos grandes grupos económicos.
É um escândalo quando se pede ao povo tantos sacrifícios! Os quatro maiores bancos arrecadaram 4 milhões e 100 mil euros por dia nestes primeiros nove meses de 2009;
a Brisa 401, 7 milhões, mais 282%, a GALP 266 milhões, quase mais 50%, a PT 5.617 milhões, mais 112%; a Jerónimo Martins 193 milhões, mais 40% e por aí fora!
Neste contexto, a Greve Geral, convocada para o dia 24 de Novembro, assume enorme relevância.
Trata-se da resposta dos trabalhadores para pôr travão à ofensiva que o Governo PS, com o apoio do PSD e a conivência do CDS, desenvolve contra as suas condições de vida e os seus direitos sociais essenciais.
É preciso que os trabalhadores, os diversos sectores alvo da política em curso e as populações façam ouvir a sua voz, façam sentir a sua força, contribuindo para que o protesto de mudança tenha na Greve Geral um momento alto de afirmação! É tempo de dizer basta!

Vicente Merendas
Membro da Direcção Regional de Setúbal do PCP

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção