FRANCISCO MANUEL LUMBRALES DE SÁ CARNEIROPor Helder Martins
Barreiro

Por Jornal Rostos
“Antes quebrar que torcer” um dito popular que encaixa perfeitamente no perfil de um homem que foi advogado de profissão, um dos políticos mais marcantes do século XX português, fundador e líder do Partido Popular Democrata / Partido Social Democrata e ainda Primeiro-Ministro do País, em 1980.
Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro é o seu nome: um herói romântico que desafiou os preconceitos da sociedade em que vivia e cuja luta pela democracia norteou-lhe a vida terminando tal como viveu: de forma brutal. E é sobre isto que a JSD do Barreiro se presta a homenagear hoje, dia 4 de Dezembro de 2010, com todo o respeito que lhe é devido e partilhar a sua solidariedade para com todos aqueles que reconhecem e vangloriam, ainda hoje, o valor do seu legado.
Fortes convicções e um enigmático carisma definem Sá Carneiro. O seu entusiasmo era deveras contagiante e a frontalidade com que assumiu a utopia de um país livre, permitiu-lhe fazer parte de um restrito lote de políticos, que eram admirados tanto por amigos como por adversários.
Francisco Sá Carneiro nasceu a 19 de Julho de 1934, no Porto. Cresceu e foi criado no seio de uma família da alta burguesia, enveredando pelo curso de Direito e iniciando a sua carreira profissional como advogado. Era católico praticante, defendia a transformação do regime numa democracia parlamentar. Regime, esse, que caiu a 25 de Abril de 1974, levando Sá Carneiro, um homem fiel aos seus pensamentos e ideais, mesmo que fosse politicamente incorrecto, a fundar o Partido Popular Democrático (PPD), chamando-se mais tarde Partido Social Democrático (PSD)
Um revolucionário do amor. Sá Carneiro, mesmo em risco de não ser nomeado para primeiro-ministro, defendeu e provou que o amor podia revelar-se, não abdicando dos seus sentimentos. E o seu medo de não ser aceite por estar a defender o que amava, foi infundado e acabou mesmo por ser eleito primeiro-ministro, ainda que por um curto período de tempo.
Faz hoje 30 anos desde que Francisco Sá Carneiro, a sua mulher e restantes membros, faleceram num acidente de aviação. Acidente ou atentado? Negligência na manutenção do avião ou conspiração? Ainda hoje, essa dúvida persiste. O que é certo é que ainda que Sá Carneiro, não tivesse tido possibilidade de executar o que havia planeado para o País, deixou a sua marca e foi, indubitavelmente, o fundador da direita democrática, tudo em prol de um Portugal moderno.
Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro é o seu nome. Um homem, cujo legado continua vivo e reconhecido no pensamento de cada Social-Democrata e talvez, arrisco-me a dizer, no pensamento de cada membro de partidos adversários. E ideais à parte é impossível não reconhecer o valor, o carisma, deste advogado, cristão, político, romântico que partiu, com grande pesar para todos nós, mas que nos deixa uma questão. Como estaria o nosso País, hoje, se Sá Carneiro, não tivesse sucumbido a 4 de Dezembro de 1980.
Militante JSD, Secção do Barreiro
Helder Martins














