Regenerar é preciso, como navegar.Por José Assis
Seixal

Por Jornal Rostos
Se nas palavras de Camões ou Pessoa o mundo e a mudança estão de mãos ligadas e unidas, no presente, histórico, politico, social e cultural , o devir do fogo de 2010 só poderá provocar a regeneração como motor de busca do caminho certo para 2011. Poder-se-á perguntar, contudo, se, com um ano particularmente composto de coisas novas ( no sentido de actuais) que se sucederam é possível pensar sequer em regeneração, estando bem presente, ainda, a crise e os elementos que sustentam os novos (velhos) problemas económicos e financeiros. Não será 2011 um prolongamento de 2010?
Não pode ser. Regenerar não é romper.
Se bem que 2010 foi o ano da quase desagregação da UE, pela via da especulação financeira e monetária e a impotência de responder com uma só voz, o susto, para os europeístas e não só, deve servir como recado. Com a tentativa de um comando único europeu, cometida por Merkel ( que, muito bem observa Freitas do Amaral, foi educada na Alemanha de Leste) à boleia de sopros de ventos turbulentos, causados pela falha de uma governação comum na UE ( conceito ainda a determinar no concreto), a Alemanha pareceu querer esquecer o que já foi. Foi pela falta de tempo na resposta à crise grega, que a causou, pelas oscilações face à Irlanda, que se prolongaram por Portugal e a Espanha, quanto a entrada do FMI, e um piscar de olho venenoso ao seu aliado francês, que Merkel usou a velha táctica ( aliás conhecida universalmente como uma táctica marxista) do quanto pior melhor ou fazendo a miséria para governar. Inexplicavelmente optou pela guerra interna. Merkel não foi determinada e solidária e, a dado passo, foi mesmo a causadora do abalo de que foram alvo os designados periféricos países da União. Como o Alfa e o Omega se podem confundir, também a periferia e a centralidade relativamente ao mundo, nomeadamente no que a Portugal diz respeito, estão dependentes da conjugação de vários factores. Mas há um que é distintivo: a História.
Mário Soares disse: é preciso falar alto (dentro da Europa). E falou-se. Serviu a diplomacia económica para esse "falar alto". O chefe do governo não parou . E, como em anteriores momentos históricos, nós fomos à procura. Revivemos o mundo. Fizemos notar o que demos ao mundo . E, neste mundo de mudança, dissemos que fazemos parte da mudança do mundo, pois que podem mudar os paradigmas que nós estamos para promover e acompanhar o girar da terra. A lusofonia serviu de base e o mundo voltou a conhecer a alma de um povo que, se for necessário, partirá para descobrir o Novo Mundo. Na ONU, com outros povos, recebendo outros povos e instituições internacionais, partilhando os meridianos da fortuna como só nos sabemos fazer, incentivando chefes de Estado de língua portuguesa, celebrando tratados económicos, deixámos os centro europeus- um eixo franco-germânico fraco- tolhidos pela sua própria ganância e ânsia de poder. Amarrados, os segundos, a uma história ainda recente e triste. A afirmação portuguesa no mundo, neste momento, é o presente histórico e só mesmo com um novo governo que seja cego se poderá perder o esforço de 2010.
É, por isso, que regenerar é preciso como navegar já foi e ainda é. A regeneração sairá da mão consciente de que só solidários e unidos somos fortes, e de que o projecto de Paz que é a UE, só é possível tendo a história sempre presente. Uma União efectiva e real que combata a especulação com origem virtual.
Como disse D. Manuel Clemente: Portugal tem uma capacidade espantosa de se reconstruir . É verdade, sem Portugal não há construção, europeia e não só.
José Assis














