A escola e os cidadãos no contexto da era da comunicaçãoJoão Saramago Tavares
Moita

Por Jornal Rostos
Agora que estamos na era da comunicação e onde imperam os acessos às redes sociais vem-nos à mente a influência que estas terão na escola. A escola sempre foi uma rede, onde se estabeleciam interligações entre professor-aluno, aluno-aluno e pais-professores. Era nesta rede de contactos humanos e intelectuais que os jovens adquiriam um saber e uma formação, essenciais ao seu desenvolvimento cognitivo, moral e relacional. A amizade era ou é muitas vezes a “punção milagrosa” que fez nascer e crescer o conhecimento.
A sociedade entrega, de coração aberto, à escola o seu futuro e espera que esta seja capaz de construir indivíduos conscientes de um “eu” onde se misturam sentimentos de cidadão com deveres e direitos que premitam preservar o seu mundo, a sua casa, a nível local, regional, nacional e mundial.
A escola passou a ser um espaço vivido, onde cada um de nós cresceu e adquiriu todo o género de experiências necessárias para entrar no mercado de trabalho, na vida e prosseguir mostrando e ou transmitindo os valores culturais que constituem as raízes do seu povo.
De facto, o conceito escola é igual em todo o mundo ocidental, mas em cada país ela é um espaço cultural único.
A família, também ela sempre ocupada, entrega à escola os seus únicos tesouros solicitando que a mesma a substitua nessa tarefa árdua de formar e não formatar pessoas. Em pleno sec. XXI é urgente que cada um de nós se torne um cidadão do mundo independentemente da sua origem, cor ou etnia.
Mas tudo isto está a mudar muito rapidamente nas sociedades ocidentais, com o alvorecer das redes sociais.
Muitos já comentam que, por exemplo, em Portugal a maioria dos jovens já não vê televisão e recebe a maioria da informação pela internet. Desde há uns anos que a escola está a perder a sua primazia na transmissão do conhecimento e a construção do “eu cognitivo” já não depende exclusivamente do mestre ou do livro cedido por este. A escola cedeu a outrem um dos seus domínios.
E agora, com o aparecimento das redes sociais, como ficará o “eu relacional”?
Que cidadãos resultarão desta amalgama de contactos, muitas vezes desencontrados, desenfreados, sem regras e onde vale tudo? Mais uma vez a escola está a perder a primazia.
A escola, a família e a sociedade estão a ser pontapeadas para os lugares escuros do mundo, sem se aperceberem muito bem aquem estão a entregar o seu futuro. Que mundo nos espera?
João Saramago Tavares
Presidenta da JSD Moita














