E A PEREGRINAÇÃO CONTINUA!Rosário Vaz
Barreiro
De Fernão Mendes Pinto e da sua obra, não restem dúvidas, sempre valerá a pena fazer uma releitura.

Por Jornal Rostos
Numa tarde de sábado, mais ou menos aliviada de afazeres a que, muitas vezes, nos obrigamos, veio-me à memória um momento em que, por mero acaso, tive oportunidade de assistir, ao final de um conjunto de programas que a televisão portuguesa dedicou a Fernão Mendes Pinto e à sua obra de referência.
“E a peregrinação continua!”
Esta foi a frase com que Maria Alzira Seixo terminou, há alguns dias atrás, o último programa dedicado a Fernão Mendes Pinto, por ocasião da evocação do seu nascimento, em 1510.
Quinhentos anos passados, não serão suficientes para esquecermos o autor e essa obra prima da nossa tão extensa literatura de viagens, “A Peregrinação”.
Do povo, outrora aventureiro e dado às deambulações por longes terras, nos dá conta essa obra de leitura sempre apetecida.
Tratando-se do relato circunstanciado de aventuras desmedidas e de encontros com o desconhecido, além fronteiras, a frase de Maria Alzira Seixo, essa especialista em crítica literária, já agraciada com o galardão “Barreiro Reconhecido”, deixa em aberto, não só em que peregrinação podemos pensar, como que continuidade pode ela ter nos nossos dias.
Referir-se-ia ela à grande viagem que representa a abertura de fronteiras, em tempos de globalização? Quereria antes dizer que os portugueses continuam à procura de algo que ainda não encontraram?
Não é difícil especular, sem querer banalizar a frase que terminou um trabalho de grande interesse, transmitido pela mesma televisão que, muitas vezes nos enfastia com conteúdos de qualidade nem sempre aconselhável.
Porém, sem querer deturpar o sentido da referida frase, usada em contexto de comentário à obra de Fernão Mendes Pinto, sempre gostaria de, a partir dela, deixar algumas reflexões: o que nos ficou das características desse povo que tanto peregrinou por mundos desconhecidos?
Como nos movemos, nos actuais tempos, em espaços que tão abertamente nos são oferecidos, por via da globalização em que o séc. XX nos lançou?
De Fernão Mendes Pinto e da sua obra, não restem dúvidas, sempre valerá a pena fazer uma releitura.
Quanto às reflexões propostas talvez mais não sejam do que o pretexto para voltarmos sempre à nossa escrita literária de todos os tempos e, não raras vezes, a momentos históricos marcantes da nossa existência como povo, num país que bem cedo se demarcou na geografia mundial.
Rosário Vaz














