Dia 23 de Janeiro - A arma de luta é o votoPor Vicente Merendas
Moita

Por Jornal Rostos
Em 2011, a imensa maioria dos portugueses vai viver pior. Isto significa que viverá ainda com mais dificuldade do que em 2010 – que, nunca será de mais recordá-lo, foi o ano dos programas ditos de estabilidade e crescimento, das medidas de austeridade, e da convergência estratégica entre Governo PS/Sócrates e Presidente da República Cavaco Silva.
Vai viver pior porque foi aprovado o Orçamento do Estado, assente na negociata entre o PS e o PSD apadrinhado pelo Presidente da República, que constitui um gravoso passo no caminho de retrocesso que vem sendo trilhado no nosso país.
O entendimento entre o PS e o PSD quanto ao corte nos salários, nos apoios sociais, no investimento público, quanto à continuação da injustiça fiscal e à acentuada desigualdade social, está já a confrontar os trabalhadores, o povo e o país com uma nova vaga de sacrifícios.
Em contraste com todas as outras candidaturas, Francisco Lopes denuncia as consequências de um Orçamento do Estado que, patrocinado por Cavaco Silva, e aceite como necessário por Manuel Alegre, Fernando Nobre e Defensor de Moura.
Ou seja, todos eles estiveram de acordo com estas medidas, impostas aos trabalhadores e ao povo. Com esta política de salvar os ricos à custa dos pobres. Cavaco Silva discorre como os portugueses estivessem esquecidos da sua acção nefasta, nos dez anos em que, enquanto primeiro ministro, consolidou e aprofundou a política de direita e destruiu grande parte do sector produtivo do país.
Surge a falar agora do mar. Cavaco Silva 1.º Ministro esteve sempre de costas viradas para o mar, com uma imagem do mar vulgar e redutora de sol, praia e lazer.
Temos um país banhado de Norte a Sul pelo mar, e uma grande zona económica exclusiva. Mas foi com Cavaco Silva que ficámos sem frota pesqueira, marinha de comércio e praticamente já não temos industria naval.
Elevando a hipocrisia a um patamar superior manifestou as suas preocupações com a “repartição dos sacrifícios”, que, disse ele, deve ser feita “sem excepções ou privilégios” como se não fosse responsável por atirar todos os sacrifícios para os trabalhadores e para o povo e oferecendo todos os privilégios aos grandes grupos económicos e financeiros.
A situação dramática a que a política de direita conduzir Portugal, é por demais significativo o facto de a candidatura de Francisco Lopes não apenas ser a única que não tem qualquer responsabilidade na situação existente, mas ser igualmente a única ligada aos que, ao longo dos anos, combateram essa política e lhe contrapõem uma alternativa.
Nesta candidatura e neste projecto, ao contrário do que acontece com as restantes, não há lugar para o comprometimento com a política de direita, não mora a mínima promiscuidade com a especulação e os interesses do capital, e apenas têm lugar e moram a coerência, a determinação, a identificação com os interesses dos trabalhadores, do povo e do país.
Francisco Lopes tem feito chegar de que Portugal e os portugueses não estão condenados à “inevitabilidade” da política de direita, do desemprego, dos baixos salários, das pensões e reformas de miséria, da pobreza, da fome; que o que é inevitável, de facto, é um novo rumo para o país e que esse rumo será alcançado através da luta dos trabalhadores e do povo, os quais, no dia 23 de Janeiro, terão como arma de luta principal o voto: o voto em Francisco Lopes, o candidato dos trabalhadores.
Uma arma de luta que importa ser usada pelos:
Os mais de 600 mil homens, mulheres e jovens desempregados, e os milhares com trabalho precário.
Os mais de 1 milhão de reformados que vivem com reformas e pensões de miséria.
Os milhares de trabalhadores da Função Pública que viram os seus salários cortados.
Os milhares que não viram o salário mínimo nacional aumentado como estava garantido.
Os milhares de Micro e Pequenos Empresários que se sentem aniquilados.
Os milhares que viram os seus salários roubados por via do aumento do IRS e o seu poder de compra reduzido não só por força do aumento do IVA como também do preço dos bens e serviços.
Este é o Povo que sofre! A quem fazem promessas do seu império.
Mas cuidado que pode o Povo querer um Presidente a sério!
Vicente Merendas
Membro da Direcção Regional de Setúbal do PCP














