Eleições ao olhar de um jovemPor Sandra Arsénio
Moita

Por Jornal Rostos
Votar é um direito diga-se, um direito adquirido com luta e simultaneamente um dever, um dever que todos temos de modo a contribuirmos sempre para a melhor e justa decisão.
Votar pela primeira vez é uma tarefa difícil, não no âmbito prático de exercer o voto mas no âmbito teórico.
Poucos são os jovens que têm definida uma opinião partidária ou que, neste caso, conheçam todas as personalidades envolvidas nas presidenciais.
É certo que cada vez mais os jovens são desinteressados pela política, cada vez são mais aqueles que se afastam deste meio devido ao que apreendem ser a prática de política no nosso país.
É triste constatar esta verdade, porque afinal nós, os jovens, quer queiramos quer não seremos o futuro, implicando o que de bom ou mau tenha esse futuro.
Julgo que a escola deveria, mais concretamente o ensino secundário, desenvolver acções neste âmbito, de modo a consciencializar os futuros eleitores para a importância do seu voto.
Não obstante, há que dizer que esta campanha, até para o jovem mais interessado na vida política foi maçadora, demasiado longa e de qualidade medíocre. Os debates surgiram e poucos foram os que deram por eles, tendo sido estes sem a tensão de opiniões que se espera entre candidatos às presidenciais, para não falar nas declarações que posteriormente alguns candidatos proferiram no dia-a-dia, de modo a tornarem esta campanha cada vez menos digna para a eleição do Chefe de Estado.
Constaram alguns que, a tecnologia prejudicou a eleição, o cartão de cidadão dificultou o acesso as urnas. Terá sido realmente? Pessoalmente, não senti nenhuma dificuldade nesse âmbito, via SMS ou internet acedíamos à informação facilmente.
A verdade é que, consolidados os resultados eleitorais, venceu o candidato mais preparado, Professor Cavaco Silva, conseguindo ter mais de o dobro do segundo candidato mais votado a nível nacional, levando ao insucesso da campanha do candidato Manuel Alegre.
Julgo ainda merecer atenção os valores atingidos pelo candidato Fernando Nobre, com a sua candidatura pela cidadania, independente, que se lançou na campanha e ganhou a atenção dos portugueses pela excelente postura que manteve. Espero sinceramente que continue a mostrar a sua preocupação e que se torne uma presença contínua.
Não deve ainda ser ignorado o valor da abstenção, 53%, ou seja, um em cada dois portugueses resolveram não participar num dever de cidadania, ou então resolveram não comparticipar numa eleição com reflexos aquém da cidadania desejada. Tais reflexos não são unicamente causa da dita desorganização provocada pelo cartão de cidadão, acho antes que devem todos reflectir, afinal quem escolheu o Presidente da República foram menos de metade dos portugueses capacitados para tal.
Sandra Arsénio
Vice-Presidente da CPS da JSD Moita














