Só há uma verdadeira razãoPor José Assis
Seixal

Por Jornal Rostos
Se a realidade é mais forte do que a ficção então "Inside Job" terá que ser mais forte do que a realidade e a ficção no seu conjunto. Não porque se confundam os planos mas porque a sua soma não chega para contar uma história.
Baseado em factos históricos e veridicos, o filme que nos relata, por relatos documentados, a verdadeira razão da crise dita global é assustador. Assusta pelos próprios factos, mas assusta, sobretudo, pelo modo como eles são cruelmente relatados, pelos seus próprios interpretes. Crueldade de Interpretes sem arrependimento e interiormente ainda convictos das suas razões. Possuídos, ainda, pela besta.
O filme tem momentos absolutamente arrepiantes, de terror. Assusta e por vezes enoja. E não causa repulsa somente pela cronologia e efeitos nefastos dos acontecimentos. A ligeireza e a desfaçatez com que alguns relatam o que fizeram, e como encaram as consequências do que fizeram causa uma anatropia caldada com a revolta e o temor legitimo de que volte a acontecer. Apetece mesmo partir a tela.
"Inside Job " diz-nos que a crise global é a dos valores e a das atitudes. A libertinagem na atitude e a inconsciência dos responsáveis acrescendo ao vicio de uma camisa de forças auto-imposta por quem só vê dentro, por dentro, e na lógica de um sistema fechado, são uma constante.
Os efeitos desta vaga triste da história, composta por autênticos desmiolados investidos em responsabilidade, ficam gravados por mais do que um geração. Por isso "Inside Job" será o filme das próximas gerações.
"Inside Job" poder-se-ia chamar Inside: The Busters. Quem a eles não quer apontar e atirar?
José Assis














