A influência do Partido Comunista na nossa região durante décadasPor José Bastos
Montijo

Por Jornal Rostos
Vivemos numa região onde durante muitas décadas existiu um sonho; a implementação de um regime comunista do tipo daquele que existiu na U.R.S.S, durante setenta anos. A ideia era todos trabalharem para o estado, numa sociedade igualitária em que não existiam patrões.
Os empresários (patrões), pequenos, médios ou grandes eram considerados pelos comunistas exploradores das classes trabalhadoras. Nunca tinham em conta se se tratavam de empresários cumpridores ou não. Tratavam todos da mesma forma.
Em 1974/1975, os comunistas tentaram apoderar-se do poder por meios revolucionários e aqui na região foram ocupadas muitas empresas pequenas, médias e grandes e muitas propriedades agrícolas.
Abortado o golpe militar em 25 de Novembro de 1975, por força da liderança de Mário Soares/PS, com os militares do denominado grupo dos nove. O PCP ancorou-se aqui no distrito de Setúbal e no Alentejo e apesar de ter um pequeno eleitorado nas eleições legislativas e presidenciais a nível nacional, mantem aqui um elevado poder autárquico.
A queda do muro de Berlim, o desenvolvimento de um forte capitalismo na China, com salários de miséria pagos aos trabalhadores, sucessão no poder de pai para filho na ditadura da Coreia do Norte e ultimamente o que se está a passar em Cuba com o despedimento de muitos milhares de trabalhadores do estado, provam à evidência que o sonho que os comunista viveram e queriam pôr em prática no nosso país foi um fracasso onde foi experimentado, mas há por aí gente que ainda continua a sonhar. Penso muitas vezes qual teria sido o nosso percurso político se as forças político/militares de extrema esquerda tivessem ganho no 25 de Novembro? A ditadura comunista teria acabado com a queda do muro de Berlim ou agora com a crise financeira?
Em Montijo (falo do Montijo porque é a Terra que conheço bem), no século passado existiu uma grande quantidade de pequenas e médias empresas do sector primário, secundário e terciário, umas viradas para o mercado interno, outras para a exportação. Para ser empresário nunca houve nenhum impedimento, muitos deles não tinham habilitações académicas, a grande maioria tinha a 4ª classe e alguns eram analfabetos, apesar de saberem assinar o nome. Conheci muitos que vindo para aqui do Algarve ou do Norte do país para trabalhar por conta de outrem em trabalhos duríssimos, acabaram por se estabelecer por conta deles, aplicando poupanças de uma grande austeridade de vida e trabalhando de Sol a Sol e muitas vezes de madrugada, quando ainda era noite.
Os estudantes do ensino secundário e universitário do Montijo eram quase todos filhos e netos desta gente. Muitos deles acabaram cursos universitários superiores e outros cursos médios, mas o único sonho destes estudantes e das suas famílias é arranjarem um bom emprego numa grande empresa ou num departamento do estado e não assumirem o risco de serem empresários como os pais e avós. Muitos com possibilidades financeiras das famílias para iniciarem qualquer actividade empresarial do seu gosto. Isto terá alguma coisa a ver com as criticas feitas aos pais e avós por serem patrões exploradores?
A comunicação social , os partidos da oposição e os sindicatos falam muito do desemprego dos jovens licenciados, mas nunca vi um comentário desafiando estes jovens para assumirem o risco e investirem numa actividade empresarial, para venderem no mercado global- São pessoas educadas que sabem inglês e que têm um melhor conhecimento do que se passa no mundo. Os empresários montijenses quando se deslocavam ao estrangeiro para visitar os clientes faziam-se acompanhar de um tradutor, porque só sabiam falar português e algumas vezes mal.
O presente e o futuro vão fazer-se com uma economia de mercado regulada e global, por isso necessitamos de um tecido empresarial credível, competente e honesto e um estado democrático forte, para cobrar os impostos e financiar o estado social. Não podemos andar para trás agora que temos uma população mais qualificada e portanto melhor informada do que se passa no mundo e temos que actuar numa economia competitiva a nível mundial.
José Bastos














