Aquela piscina me parecia um Oceano…Inês Soares
Barreiro

Por Jornal Rostos
Tenho poucas memórias da minha infância, sinto que, foi com naturalidade que algumas delas se desvaneceram, umas pela pouca importância que tinham, outras para dar lugar a memórias mais presentes.
No entanto, posso afirmar que uma das coisas que recordo com mais saudade, foram os tempos em que nadei, o cheiro a cloro, o fato-de-banho e a touca renovados anualmente como era habito, a liberdade que eu sentia dentro daquela água e como aquela piscina me parecia um Oceano.
Foi com alguma tristeza que posteriormente abandonei a Piscina do Barreiro.
Tornou-se complicado para mim, já com alguma idade, não ter as condições mínimas e exigiveis para a prática da modalidade, numa óptica de evolução pessoal e desportiva. Sendo certo que, não sou mais exigente que os demais pois as condições da piscina do Barreiro não serviam, nem servem as necessidades da população barreirense.
A piscina tornou-se pequena, já não era um oceano imenso onde eu muitas vezes me receava perder e em que a vontade e gosto se acabaram por perder também.
Este agastamento incide tão somente na falta de motivação resultante das condições limitadas e frívolas que temos hoje em dia, e que constituem um obstáculo a qualquer querença ou desejo que eu tenha de voltar a nadar.
Tempos depois, soube da existência da Piscina de Alhos Vedros, ainda entrei dentro daquela água e voltei a sentir as mesmas sensações, no entanto, agora, punha-se o problema da deslocação, dos cerca de 6Km que me separam e também dos horários, pois não sendo eu munícipe da Moita, tinha que me sujeitar a um horário muito reservado durante a tarde para poder praticar natação. Além de todos estes entraves que a Piscina de Alhos Vedros me coloca, eu própria acho que não é ali que eu pertenço, que não era justo que eu tivesse que ir para uma Vila porque a minha Cidade não cria as condições necessárias aos Municipes para a prática deste desporto. Ir para a piscina de Alhos Vedros não é prático, nem é uma solução lógica.
Parece-me importante que se aposte na prática de desporto na nossa cidade mas, mais importante que isso, que se criem condições à mesma e neste momento, e falando especificamente em relação à prática da natação, não temos por certo uma piscina, digna dessa qualificação, para o fazer. A verdade é que temos meramente um tanque com água.
Como amante deste desporto, que tanto me traz saudades, mas também como munícipe e jovem desta Cidade, sinto que este é o caminho a seguir.
Esperava uma aposta destas por parte da Autarquia, com a criação de novas infra-estruturas que me habilitassem a usufruir de um espaço maior e com melhores condições que satisfizessem, também, as necessidades de uma cidade como o Barreiro.
Por isso, apelo a Srª Vereadora da Juventude Regina Janeiro, que se recorde com tristeza das palavras que proferiu, e da posição audaz que tomou perante os jovens barreirenses em relação à construção da dita e merecida Piscina, bem com à CDU que garantia essa mesma construção no seu programa eleitoral.
São ilusões e promessas fáceis de ´fazer´ mas muito complicadas de digerir para quem não as vê concretizadas.
Ainda, como Jovem desta Cidade, além de lamentar o facto de não ter uma Piscina no meu município em condições para a pratica de natação, é ainda mais de lamentar a tentativa de ludibriar estes jovens com a construção de infra-estruturas aspirantes a Piscina, no Lavradio. Compadeço-me da ilusão em que vivo ao saber das promessas vãs, da construção de uma nova Piscina e que, pelo que está a vista, está longe de ser realizado.
Aqui fica demonstrado o meu desagrado, como nadadora, como jovem e como munícipe, que vê cada vez mais com maus olhos uma cidade com tanto potencial, tanto dinamismo, ficar refém de ´muitas promessas mas resultados muito reduzidos´.
Esta foi a cidade onde eu nasci, onde criei laços, onde gostava de ver acção e atitude e principalmente garantias de que eu possa fazer a minha vida aqui, sob pena de tal como outros também eu ter de sair do Barreiro e ver a minha cidade tornar-se um dormitório ainda maior, por incompetência dos Executivos Camarários que nos têm governado.
É com muito pesar que constato que, mais uma vez, a criação de um espaço tão importante como uma nova Piscina, caí no esquecimento: não dos munícipes mas do Executivo Camarário.
Inês Soares
Militante da JSD














