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Quotidianos

Os terrenos agrícolas adquiridos para negócio no concelho de MontijoPor José Bastos
Montijo

As terras abandonadas na expectativa de serem vendidas a bom preço e que estão na posse de pessoas sem nenhuma vocação agrícola que querem um lucro alto com pouco trabalho, quando as empresas agrícolas dão muito trabalho e um lucro diminuto, se não forem arrendadas vão estar em pousio por muitos e bons anos, sem servirem para nada.

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Os terrenos agrícolas adquiridos para negócio no concelho de Montijo Por José Bastos Montijo

Por Jornal Rostos

A construção da ponte Vasco da Gama ligando Montijo a Lisboa, inaugurada em 1998 e a decisão do Governo de localizar o novo aeroporto de Lisboa em Canha, no concelho de Montijo, originou uma grande procura de terrenos para serem vendidos mais tarde com lucros especulativos. A compra e a venda de terrenos para urbanizar foi um dos grandes negócios das últimas duas décadas. A corrupção nas autarquias na sua quase totalidade está ligada a este fenómeno.

A crise financeira e económica a nível mundial em 2008, atingiu fortemente Portugal que tinha uma grande dívida externa; do estado, das empresas e das famílias. Os financiamentos do estado e dos bancos são difíceis de conseguir nos mercados financeiros e os juros estão altíssimos.

A aquisição de habitação própria com empréstimo bancário a muito longo prazo cada vez vai ser mais dificil e os juros mais altos tornam as prestações mensais insuportáveis para a quase totalidade da população.
A solução vai passar pelo arrendamento de tudo o que está construido e devoluto.

A construção do novo aeroporto na freguesia de Canha, concelho de Montijo , por causa do financiamento externo, não vai ser possível a curto ou médio prazo. Em 1961 um dos governos de Salazar decidiu que ia ser construido um novo aeroporto em Rio Frio, passados cinquenta anos ainda não foi construido.

A balança de transacções correntes de Portugal é muito deficitária pela quantidade de combustíveis que temos que importar. Se o crescimento mundial for de 6% ao ano o petróleo cada vez estará mais caro e as crises serão frequentes, enquanto não for descoberta uma energia que substitua de facto o petróleo.

Se acontecer o que estou a pensar ,é bem possível que os milhares de hectares de terra que foram adquiridos para negócio ou herdados, por pessoas que não têm vocação para empresários agrícolas,fiquem abandonados porque os seus proprietários não os querem arrendar, na esperança de aparecerem investidores a qualquer momento que os paguem a bom preço. Os preços destes terrenos, mesmo que baixos, são proibitivos para exploração agrícola.

O concelho de Montijo é um território com 348 km2, com grande potencial agrícola e florestal. Aqui tem existido um forte e dinâmico conjunto de agricultores que na primeira metade do século XX, exploravam as terras do concelho,mas também uma grande quantidade de propriedades dos concelhos de Alcochete e Palmela. Conheci até uma família que era proprietária de uma herdade em Vendas Novas e outra que tinha uma herdade em Alcácer do Sal.

Hoje, ainda existe no concelho uma quantidade apreciável de agricultores, muitos deles jovens, que produzem vinho, produtos hortícolas, flores de corte e outros produtos que têm grande procura tanto em Portgual, como no estrangeiro.
A existência no concelho de um aquífero com água em grande quantidade, permite a rega de muitas culturas , o que aumenta muito a produção e muitas vezes é possível obter duas colheitas por ano.

As boas acessibilidades rodoviárias e aeroportuárias existentes na região, facilitam as exportações. Mas, o mais importante é existirem na Área Metropolitana de Lisboa, milhões de consumidores que apreciam os produtos agrícolas do nosso concelho. Cada vez mais os dietistas para bem da nossa saúde aconselham os produtos hortícolas na nossa alimentação.

As terras abandonadas na expectativa de serem vendidas a bom preço e que estão na posse de pessoas sem nenhuma vocação agrícola que querem um lucro alto com pouco trabalho, quando as empresas agrícolas dão muito trabalho e um lucro diminuto, se não forem arrendadas vão estar em pousio por muitos e bons anos, sem servirem para nada.

Esta situação que se criou não é fácil de resolver. Muitos dos terrenos foram comprados a preços incompatíveis com o rendimento agrícola e portanto impossível de se concretizar a compra ou a venda.

No entanto, parece-me que o arrendamento de muitas destas terras por períodos de um, cinco ou dez anos, beneficiaria todos e os terrenos não estavam abandonados, porque prejudica toda a comunidade e ninguém gosta de ver terrenos desprezados. Contratos bem elaborados defenderiam os direitos e obrigações das duas partes.

Se os proprietários arrendassem os seus terrenos, contribuiam para o aparecimento de mais jovens agricultores, pois para iniciar a actividade é impossível comprar terra.

Quanto mais agricultores existirem mais valorizados são os terrenos no futuro se o PDM não lhes alterar o uso.

José Bastos

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