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Quotidianos

A MULHER NO ENSINO SUPERIORPor Eugénio Rosa

A MULHER NO ENSINO SUPERIOR: - são em número superior ao dos homens tanto a nível de alunos como de diplomados, mas a sua repartição por áreas de estudo continua a não corresponder de uma forma equilibrada às necessidades reais do País.

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Por Jornal Rostos

No estudo anterior, a propósito da comemoração do Dia Internacional da Mulher, analisamos a situação da mulher no mundo do trabalho. Este estudo, que completa o anterior, é elaborado fundamentalmente com o objectivo de mostrar como a posição da mulher tem evoluído,nos últimos em Portugal a nível do ensino superior, e como essa evolução se projecta a nível do trabalho.

Como revelam os dados do INE referentes ao período 2000/2001 a 2009/2010, constantes do quadro 1 em anexo, o numero de alunos do ensino superior diminuiu neste período de 387.703 para 383.627 (-1,1%), tendo a percentagem de alunos do sexo masculino, no total de alunos, aumentado de 43% para 46,7%, e o de mulheres diminuído 57% para 53,3%, mas continuando estas a serem maioritárias. Nove áreas de estudo - Formação de professores; artes; humanidades; informação e jornalismo; ciências sociais e comportamentais; direito; serviços sociais e serviços de segurança – tinham, no ano lectivo em 2009/210, 143.581 alunos, o que correspondia a 37,4% de todos os alunos do ensino superior nesse ano. Destes 143.581, 62,5% eram mulheres. As áreas Ciências Físicas, Matemáticas e Estatísticas, Engenharias e Informáticas tinham, em 2009/2010, 70.965 alunos, o que correspondia apenas a 18,5% dos alunos do ensino, sendo mulheres, nestas 4 áreas apenas 22,2%. As “Ciências de Vida e Saúde” tinham 65.250 alunos, o que correspondia a 117% dos alunos do ensino superior, sendo 74,2% mulheres.

Como mostram os dados do INE constantes do quadro 2 em anexo, no período de 2000/2001 a 2008/2009, o número de licenciados aumentou de 61.140 para 76.567 (+25,2%), embora se tenha verificado uma quebra entre 2007/08 e 2008/09. Neste período, a percentagem de licenciados do sexo masculino, em relação ao total de licenciados, cresceu de 32,9% para 40,7%, sendo as mulheres, em 2008/2009,ainda a maioria com 59,3%. Por outro lado, de 9 áreas cientificas – Formação de professores, artes, humanidades, informação e jornalismo, ciências sociais e comportamentais, direito, serviços sociais e serviços de segurança –, no ano lectivo 2008/2009, saíram 29,270 licenciados, o que correspondeu a 38,2% de todos os diplomados do ensino superior desse ano. Destes, 19.701,ou seja, 67,3% eram mulheres. As áreas Ciências Físicas, Matemáticas e Estatísticas, Engenharias e Informáticas tiveram, em 2008/2009, apenas 11.743 licenciados, o que correspondeu somente a 15,3% dos diplomados do ensino superior, sendo mulheres naquelas 4 áreas apenas 26,7%. As “Ciências de Vida e Saúde” tiveram 16.545 licenciados, o que correspondeu a 21,6% dos diplomados do ensino superior, sendo 75,9% mulheres.

Refira-se que de acordo com um estudo realizado pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ensino Superior referente ao ano de 2007 (e são estes os dados disponíveis mais recentes desta natureza), mais de 53% dos licenciados inscritos nos Centros de Emprego eram das 9 áreas de estudo referidas anteriormente (Formação de professores; artes; humanidades; informação e jornalismo; ciências sociais e comportamentais; direito; serviços sociais e serviços de segurança) ou seja, de áreas cujos diplomados saídos das universidades portuguesas no ano lectivo de 2008/2009 representaram 38,9% dos licenciados desse ano. Esta distorção parece evidenciar a continuação da falta da adequação das saídas das universidades portuguesas às necessidades reais do País e, recorde-se, que 67% dos licenciados daquelas áreas eram mulheres.

Como revelam os dados do INE (Quadro 3), no período 2003/201, as mulheres com o ensino superior, em relação ao total de mulheres, representam um percentagem muito mais elevada que os homens com o ensino superior em relação ao total de homens do País. E isto verifica-se quer em relação à população total, quer em relação à população activa, quer em relação à população empregada. Relativamente à população total, em 2010, apenas 8,2% dos homens possuíam o ensino superior, enquanto a percentagem de mulheres era de 11,7%; na população activa a percentagem era de 12% para os homens e 20,5% para as mulheres; e na população empregada, a percentagem era de 12,4% para os homens e de 21,5% para as mulheres.

No período 2003/2010, segundo quadro 3, a percentagem de mulheres com o ensino superior cresceu a um ritmo superior à dos homens. Na população total, a percentagem de mulheres com ensino superior subiu de 8% para 11,7% (+3,7 pontos percentuais), enquanto a de homens passou de 5,5% para 8,2% (+ 2,7 p.p.); na população activa a percentagem de mulheres cresceu de 14,8% para 20,5% (+5,7p.p.), enquanto a de homens passou de 8,3% para 12% (+3,7 p.p.); finalmente a nível da população empregada, a percentagem de mulheres com o ensino superior passou de 14,9% para 21,5% (+6,6 p.p.), enquanto a dos homens subiu de 8,3% para 12,4% (+4,1 p.p.). É evidente o atraso crescente dos homens em relação às mulheres em termos de escolaridade superior, o que tem graves consequências para o País em termos de qualificações.

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