As mulheres sustentam metade do céuPor Jorgete Teixeira
Barreiro

Por Jornal Rostos
Os chineses dizem que as mulheres sustentam metade do céu e eu direi que elas sustentam, muitas vezes, o céu quase todo.
São elas a trave mestra do núcleo familiar que, sem a sua presença, se desagrega e desestrutura porque lhe falta a argamassa de afectos que as mulheres constroem à volta dos seus.
Não é por acaso que muitas das sagas familiares, descritas nos romances, se fazem à volta de gerações que, no feminino, vão tecendo teias de secretos poderes. Aves de arribação, os homens criavam-se aprendendo a andar por fora, alheios aos problemas das casas, onde as mães serviam de intermediárias entre os filhos e o poder paterno, mais severo mas também mais distraído. Debaixo de uma aparente fragilidade as mulheres escondem uma grande resistência e são dotadas de uma tenacidade capaz de ultrapassar as maiores dificuldades.
Muita coisa mudou neste nosso mundo onde as diferenças entre os sexos tendem a ser cada vez menores e ainda bem que assim acontece. Mas não nos podemos esquecer que em muitos casos, as mulheres ainda são descriminadas, no trabalho, em casa, no acesso a algumas profissões ou a alguns cargos.
As mulheres sustentam metade do céu porque ainda são elas que muitas vezes trabalham a dobrar, na fábrica e em casa, no escritório e em casa, no campo e em casa, pois a elas cabem grande parte das tarefas domésticas.
Todos os anos dezenas de mulheres são maltratadas, violadas, mortas, no nosso país, na nossa cidade, ao nosso lado. Não basta oferecer flores comemorando a data todos os anos. É preciso não calar a revolta, fazer acontecer a mudança, todos os dias, para que as mulheres além de sustentarem metade do céu, vejam também respeitados os seus direitos na terra.
MULHER
Somos o berço do Mundo,
Terra fecunda onde germinam
Os sábios,
Os poetas
Os doutores
Mineiros
E navegadores.
Somos o ventre aberto
Amantes e submissas
Ardentes e loucas
Onde se sacia quem nos fere e idolatra.
Somos as que choram,
As que se arranham de dor
Nas praias dos naufrágios.
Somos as que dão os filhos
Que morrem pelas pátrias dos outros
E se sepultam vivas cada dia
E mesmo assim não morrem.
Somos grito aceso,
Doloridas, mas despertas,
Marchando unidas pelas ruas da cidade.
Nas mãos seguramos o Mundo, a Vida, a Liberdade.
Jorgete Teixeira














