PCP – Um Partido Singular - 90 Anos de LutaPor Armando Morais
Moita
Um Partido diferente, singular, quando, após o 25 de Abril de 1974, foi a força motriz do processo revolucionário que viria a transformar profunda e positivamente a realidade nacional.

Por Jornal Rostos
O Partido - era assim, simplesmente, que o PCP andava na boca do povo no tempo da ditadura fascista, porque era o único que não acatou a ordem de proibição da existência de Partidos Políticos. Todos os outros se vergaram à ordem de Salazar e se extinguiram, ou auto-dissolveram, como o PS que só se refundou 40 anos mais tarde, em 1973.
A fundação e existência do partido da classe operária não é obra do acaso, antes corresponde a uma necessidade determinada pela evolução da sociedade capitalista. A fundação do PCP foi produto do crescimento do peso da classe operária em Portugal e do desenvolvimento do movimento operário português. Não é uma casualidade que a maioria dos seus primeiros dirigentes tenham sido destacados sindicalistas e que a reunião fundadora tenha tido lugar na sede de um Sindicato.
No passado, nos 48 anos de ditadura de Salazar e Caetano, o PCP foi o alvo principal da repressão. Testemunha disso foram os milhares de presos comunistas que passaram anos e anos nas cadeias de Peniche, Aljube, Peniche e Campo de Concentração do Tarrafal, dos que aí foram assassinados ou assassinados a tiro nas ruas em manifestações ou pela calada da noite.
Mesmo nestes tempos mais duros e mais sombrios, quando tudo parecia perdido, o Partido nunca perdeu a confiança e encontrou sempre nos trabalhadores e no povo o apoio, a inspiração e as forças para resistir, fortalecer e seguir em frente.
No presente, dando continuidade à luta levada a cabo por sucessivas gerações de comunistas ao longo das últimas nove décadas e que, no momento actual, tem como objectivo primeiro pôr fim à política de direita e construir a alternativa de desenvolvimento económico e social que o País precisa e os trabalhadores e o povo desejam e pela qual lutam.
No futuro, reafirmando a determinação em prosseguir a luta por uma democracia avançada, uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem, na qual sejam assegurados a todos o direito ao trabalho, à saúde, ao ensino, à habitação e à reforma com dignidade, da qual sejam banidas as desigualdades, injustiças, discriminações e flagelos sociais.
Um Partido diferente, singular, na prática e na postura em todos os momentos e situações – e de forma inequívoca quando, face à ordem salazarista de dissolução de todos os partidos políticos, foi o único a dizer “não” e optar pela resistência e a luta em prol dos trabalhadores e do povo.
Um Partido diferente, singular, quando, após o 25 de Abril de 1974, foi a força motriz do processo revolucionário que viria a transformar profunda e positivamente a realidade nacional.
Um Partido diferente, singular, nestes 35 anos de contra-revolução – na sua postura face à política de direita: pela defesa intransigente das conquistas políticas, económicas e sociais, dos direitos laborais dos trabalhadores, do direito ao emprego, à saúde, ao ensino, à habitação, à cultura e, evidenciando, como os seus 90 anos de vida e de luta mostram, ser um Partido diferente dos que são todos iguais.
Armando Morais, membro da DORS do PCP














