( O estado do mundo) - MUNDIALIZAÇÃO - QUO VADIS ?Por JOSÉ CARIA
Montijo
O mundo multipolar é instável.

Por Jornal Rostos
Em si mesma , a Mundialização não é uma novidade ; Bastará referir a descoberta do Novo Mundo , ou das relações comerciais com o Extremo-Oriente , ou mesmo a Renascensa dos horizontes sociológicos e económicos para assim concluir.
Mas, como as suas Precedentes , esta Mundialização impacta profundamente os seres humanos modificando a sua identidade, o seu trabalho,as suas Comunidades, as Famílias, os Valores, os Modos de vida e de consumo, as culturas.
Como as suas precedentes, esta Mundialização apoia-se em revoluções tecnológicas ; ontem foi a revolução industrial, a máquina a vapor, HOJE as Tecnologias de informação e comunicação.
Devido à especificidade destas novas ferramentas de tratamento da informação e da comunicação a Mundialização que vivemos distingue-se por (pelo menos) quatro caracteristicas,a saber, a sua amplitude, a sua progressividade,a sua rapidez (mesmo,por vezes simultaniedade) das mudanças e , uma quarta caracteristica, que é a aspiração a ser escutada, percebida e tida cada vez mais em conta por parte da sociedade civil .
O capitalismo financeiro desenvolveu-se e conquistou o globo - ajudado por Multinacionais e Bancos- e impôs concepção da Troca livre no comércio internacional sem considerações de carácter social.
O resultado está à vista : - Criação de riqueza económica com desigualdades assustadoras.
A partilha desigual de Riquezas tem vindo a criar e desenvolver tensões,situações explosivas,escândalos ( ...a cada três horas morrem de fome tantas pessoas como as que pereceram no 11 de Setembro no World Trade Center...).
O centro de gravidade do Mundo está a deslocar-se e a hegemonia ocidental em negócios internacionais declinou, acabou .A erupção de economias emergentes , as crises no velho Continente (e também no “Novo Mundo” ) deslocalizaram o centro de gravidade da economia para Oeste , e , com este , o centro dos Sistemas de Valores.
Convem ter em conta que América do Norte e Europa representam,hoje, menos de 10% da população mundial , sendo o crescimento das suas economias duas ou três vezes menos rápido do que a dos Países emergentes.
O mundo multipolar é instável.
Já toma forma a ideia que a riqueza económica (P.I.B.),como indicador de riqueza imperfeito,necessita reintroduzir o ser humano e a ecologia na economia (como preconizou Stiglitz).
Também a própria mundialização (esta) está a mudar de forma : - além dos aspectos socio-económicos vão aparecendo os “ fenómenos religiosos”.
A secularização,pelo menos nos últimos cem anos, trouxe grandes dificuldade às elites ocidentais na percepção,apreensão e tratamento geo/político/estratégico da expansão e osmoses geoestratégicas dos “fenómenos religiosos” o que atrasou,dificultou ( e dificulta) o “Diálogo de Civilizações” de que falou Garaudy .
A dificuldade de adaptação ( ou atrasos) ás “mudanças” é um dos dos principais “handicaps” para o diálogo de Culturas - tão necessário nos Tempos que correm - no sentido de se perceberem e se reencontrarem “modelos” até agora reciprocamente incompreendidos.
Hoje em dia as Comunicações são já quase integralmente globais e em tempo real .O mundo dos Negócios, dos Partidos políticos ,das Organizações Não Governamentais,das Fundações ou das Comunidades religiosas atrasam-se nesse movimento global enquanto,simultaneamente, a Sociedade Civil exige , cada vez mais,ser ouvida e tida em conta.
Capital e Trabalho disfrutam/sofrem de forma diferente a actual Crise financeira,económica e social ; Rendimentos de Assalariados e de grandes “Share Holders” evidenciam também gritantes desigualdades na partilha da riqueza ;
Num mundo onde se vão concentrando tantos antagonismos faz falta desenvolver uma ambição social partilhada.
Submersos pela “economia” ,pelo “financeiro” , pela “técnica” ,vamos sendo perturbados profundamente no sentimento de pertença , de confiança no Presente com Futuro.
É verdade que o “global” facilita relações entre Pessoas mas também parece conduzir-nos a ablacções traumáticas colectivas de algumas nossas pertenças singulares.A globalização ataca simultaneamente a “diferença” e o “universal” na tendência ,visível, para a “uniformidade” pondo em causa o conceito de dignidade humana (Homem,País,História,Cultura versus diversidade).
Assim sendo , nada perdemos se nos pusermos a pensar ( “quando um Homem se põe a pensar “ - nas palavras do Poeta/Cantador) na necessidade ,talvez, de uma nova etapa da Mundialização para a Universalização.
Diferentemente daquela , a universalização - que respeite o Património histórico cultural, ambiental,material e imaterial, do Homem,dos Países,das Nações,das Culturas,das Civilizações, apoiado na Partilha de Valores e coexistência pacífica universal ( sem exacerbados nacionalismos,comunitarismos,que resrespeitam diversidades), sob um conceito de “comunidade humana” .
JOSÉ CARIA














