(O estado do mundo - 2 ) -MEDITERRÂNEO,SUEZ,EUROCENTRISMOJOSÉ CARIA
Montijo

Por Jornal Rostos
Em 1832 Carl von CLAUSEWITZ , chefe do Estado-Maior dos exércitos prussianos, num famoso Tratado sobre Política e sobre a Guerra,escreveu sobre a natureza da Guerra,explanou uma Teoria da Guerra,falou da Estratégia em geral, do
Combate e Planos de Guerra ; Afirmou, à altura, “ a Guerra é um acto de violência com que se pretende obrigar o nosso oponente a obedecer à nossa vontade” ;sobre a Estratégia deixou escrito “ Estratégia é a utilização da Batalha para ganhar o fim da Guerra”. Disse,ainda,(perdoem-me as citações),” o hábito dá resistência a um corpo para um grande esforço à mente durante um perigo grave,à capacidade de julgamento contra as primeiras impressões “ .
Julgamento contra as primeiras impressões dum acto de violência que pretende obrigar para facilitar a estratégia para ganhar a guerra !!!...
Política, Economia ,Estratégia,Táctica estão na interligação dos fenómenos conexos e condicionalidades endógenas e exógenas nos aspectos,propriedades e elementos da luta de contrários em torno da BACIA DO MEDITERRÂNEO e do CANAL DO SUEZ no que se tem vindo a passar na Argélia, Tunísia, Egipto,Yemen,Síria, QATAR, Líbano, Israel, Gaza e Palestina.
A Argélia tem o oitavo maior conjunto de Reservas de Gás Natural do Mundo sendo o quarto maior exportador; A Tunísia tem Reservas de 425 milhões de Barris de Petróleo (bbl) e 65 biliões (cu m) de Reservas de Gas Natural ; o Egipto é incontornável com o CANAL DO SUEZ ; o Yemen tem 75% da Receita do Governo proveniente do Petróleo ; a Síria tem Reservas de 2.5 biliões (bbl); o Qatar arrecada no P.I.B. mais de 50% proveniente do Petróleo, 85% das Exportações e 70% da Receita do Governo .
Assim, tendo em conta o que já afirmei sobre a interligação dos fenómenos (internas, externas-aspectos,propriedades e elementos) não é muito dificil ir percebendo o que , de novo-velho, se está passando na BACIA DO MEDITERRANEO , CIRCUNSCRIÇÃO DO CANAL DO SUEZ, em Estados como a Jordânia, Arábia Saudita, Yemen, Qatar, para além da Argélia, Tunisia, Egipto,Líbia.
As matérias-primas sempre foram motivação de Guerras, tal como o dominio e hegemonia geo-estratégico de ROTAS DE COMUNICAÇÃO .
Dito isto como podemos OLHAR para o que se está passando (não é novo em essência e substância, embora com objecto e forma diferentes!).
Uma das maiores e mais poderosas CRENÇAS dos nossos tempos é a noção que a civilização europeia - o Ocidente - teve e tem tido vantagem histórica única por qualidades de raça, cultura, ambiência, mente ou espírito o que , escrevem os seus difusores, teria dado e continua a dar a esta comunidade humana superioridade
permanente sobre outras Comunidades humanas do passado ao presente. Há quem escreva e fale em “fazedores da história”, no eterno avanço,progresso,modernidade face a inércias de repouso histórico (segundo escrevem) doutras Comunidades humanas . O Mundo teria, portanto, para esses, um centro permanente em simultâneo com Periferias permanentes. O Centro inova, as Periferias imitam ; o Centro lidera , as Periferias conformam-se .A Europa - o
Ocidente - seriam “a fonte” , a não-Europa , o não -Ocidente os recipientes !.
A Europa, o Ocidente, seria fundamentalmente o resultado das “qualidades internas” e não da interacção com sociedades como a África, a Ásia, as Américas.
Há muitos, muitos anos que as “crenças eurocêntricas” são muito mais que atitudes e preconceitos ; essas crenças entroncam e florescem em análises das realidades empíricas ditas “periféricas” , ou não-ocidentais procedendo duma perspectiva europeia “tout court” que tem implicado o pressuposto da preeminência da cultura europeia .
A prática de observar o Mundo da perspectiva europeia já existia na Renascença (com as “fontes clássicas” a situarem-se na Grécia e em Roma), continuando com os colonialismos e os imperialismos; o Eurocentrismo continua, nos nossos dias,a nublar parcialmente análises e, conclusões,práticas e acções na chamada “comunidade internacional”.
Diversas RELIGIÕES/CRENÇAS, apesar das tentativas de ecumenismo,padecem também parcialmente ,no âmbito do Universal, de Eurocentrismo e outros “ ISMOS”; Têm servido ( tantas vezes!) para ocultar, mistificar, deturpar e condicionar as tentativas de assalto, captura,apropriação e manipulação manietada de Recursos, Matérias-primas, Rotas comerciais et cetera!...
Enfoques redutores, substituição da essência por formas/deformadas,visões parciais (ou parcialisadas),não favorecem certamente as aproximações analíticas que podemos ensaiar para o que (mais uma vez...) se está passando, geográficamente falando, em torno da Bacia do Mediterrâneo e do Canal do Suez, a que, convenhamos ainda ,não é alheio o Conflito Israelo-Árabe e o que o rodeia do ponto de vista geo-estratégico !...
JOSÉ CARIA














