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Política na Educação, Credibilidade na Política, para quando?Por Pedro Pires
Seixal

Neste momento, em que o nosso futuro político, económico e social é demasiado incerto, a afirmação que menos risco corro ao proferir é que já há muito poucos portugueses que ainda acreditam na política, e nos políticos, que hoje temos. Embora não tenha dúvidas de que os partidos políticos são necessários, também não pretendo defender os políticos de uma forma cega. Como em tudo na vida, há bons e há maus

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Política na Educação, Credibilidade na Política, para quando? Por Pedro Pires Seixal

Por Jornal Rostos

Começo por afirmar que pouco sei sobre política. E sei pouco, muito devido à mesma razão que leva, hoje em dia, a maioria da população portuguesa a desconhecer quantas pessoas, e com que funções, constituem a junta de freguesia do local onde vivem, por exemplo. Tal como da mesma forma desconhecerão as funções da sua assembleia municipal, ou o número de deputados da Assembleia da República. A política não é, nos dias que correm, ensinada, explicada e difundida, de forma organizada e estruturada, em Portugal.

Neste momento, em que o nosso futuro político, económico e social é demasiado incerto, a afirmação que menos risco corro ao proferir é que já há muito poucos portugueses que ainda acreditam na política, e nos políticos, que hoje temos. Embora não tenha dúvidas de que os partidos políticos são necessários, também não pretendo defender os políticos de uma forma cega. Como em tudo na vida, há bons e há maus. Mas será que não é possível fazer nada para melhorar esta tão má imagem que se tem da política em Portugal? Será que já não há cá, neste grande país que em tempos dominou o mundo, ninguém sério e capaz? É claro que há.

Sabemos que desde sempre o Homem teve uma aversão natural aquilo que não conhece. É pois normal que, quando se desconhece o que é que uma pessoa, eleita para um determinado cargo político, pode, deve ou tem de fazer, não se goste do trabalho que ela fez no fim do mandato. Quando não se entende, por exemplo, o método de eleição de deputados, que permite que um governo tenha uma maioria absoluta em número de deputados, sem ter necessariamente mais de metade dos votos, é aceitável que a população se sinta mal representada.

É por isto que creio ser urgente apostar na inclusão de conceitos básicos sobre o funcionamento da política e dos órgãos institucionais que temos na educação dos jovens portugueses. Desde o passado da política em Portugal, passando pela noção de que votar, é tanto um direito quanto é um dever, até ao estado actual da política no nosso país. Se é verdade que uma aposta clara na educação é uma aposta que pode muito bem não colher frutos em 3 ou 4 anos, a tempo das próximas eleições, é também, a meu ver, o princípio de uma solução – se é que ainda existe – com hipótese de restaurar alguma fé na política portuguesa.

Se os jovens perceberem o que é fazer política, e de que forma esta funciona, talvez se interessem mais, e provavelmente, a façam com muito mais qualidade. Se isso acontecer, talvez alguém acredite neles. Se alguém acreditar em políticos, talvez a política passe a ser bem vista. Se a política for uma actividade vista com bons olhos, com respeito, talvez as pessoas com vontade e capacidade, queiram, sem receio de irem apenas prejudicar a sua imagem, ajudar. Se Portugal se puder dar ao luxo de eleger os seus políticos de entre um vasto leque de pessoas integras, focadas e capazes, então a política será, de certeza, mais credível. Se tudo isto acontecer, talvez as coisas corram muito melhor.

Pedro Pires
JSD Seixal

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