ASSOCIATIVISMO, DESENVOLVIMENTO, COMUNICAÇÃOPor JOSÉ CARIA
Montijo
A organização associativa instrumentaliza os mecanismos que dão concretização às exigências sociais e que fazem dos homens e das mulheres, com tempo e vagar, sujeitos do seu próprio destino, tornando-os mais próximos da busca de autonomia na promoção do desenvolvimento local.

Por Jornal Rostos
A adesão ao associativismo, embora consistente, ainda se mostra insuficiente para conter desigualdades sociais e econômicas, e, em maior instância, desigualdade política.
O caminho de soerguer uma cultura de jeitos próprios de solucionar problemas, de participação e mediação no diálogo dentro da comunidade e entre a comunidade e os poderes em todas as direções, prossegue ao encontro de outras ações de enfrentamento das dificuldades, da apatia e da exclusão, visto ser na intensificação da resistência dos agentes humanos que está a possibilidade de superar pontos de vista assistencialistas e construir-se o poder propositivo de ação, estratégico da vida associativa, para a melhoria da produtividade social local .
A força social está na capacidade de, num processo de diálogo construtivo, ampliar o conhecimento, aumentando a capacidade de ação do grupo com as atividades realizadas de forma comunitária e, em essência, coletiva, determinando um processo de cidadania emancipada, fortalecendo e estendendo as discussões, induzindo , assentando, e sedimentando o processo de desenvolvimento, originalmente local.
O quadro do associativismo revela-nos o surgimento de novas organizações associativas tanto no meio rural como urbano, de forma dispersa, caracterizando o resultado das ações de um conjunto de pessoas articuladas com vistas a superar dificuldades, criando uma espécie de capital social sem mesmo que elas queiram ou percebam, mas que já é um beneficio das relações estabelecidas na Comunidade local .
Nada é mais precioso que o humano.
Ele é a fonte das outras riquezas, critério e portador vivo de todo o valor; é preciso ser economista do humano; É necessário igualmente forjar instrumentos – conceitos, métodos, técnicas – que tornem sensível, mensurável, organizável, em suma, praticável o progresso em direção a uma economia do humano .
Os instrumentos de construção da economia do humano deverão ser forjados pela via do associativismo, pela organização cooperativa, mais que pela competição.
O associativismo cinge necessidades, interesses e vontades, é o lugar dos debates, das iniciativas, dos acordos.
A organização associativa instrumentaliza os mecanismos que dão concretização às exigências sociais e que fazem dos homens e das mulheres, com tempo e vagar, sujeitos do seu próprio destino, tornando-os mais próximos da busca de autonomia na promoção do desenvolvimento local.
A cooperação é força indutora que modifica comportamentos e abre caminhos para incorporar novos conhecimentos, criando um tecido flexível mediante o qual se enlaçam distintos atores, produzindo um todo harmônico culminando no estabelecimento de uma comunidade de interesses numa estrutura que deve ser ajustada para refletir os padrões de
comunicações, inter-relações e cooperação, reforçando a identidade do associativismo, a dimensão humana , o desenvolvimento local, a comunicação.
O fomento do associativismo é pedra angular do desenvolvimento; a problemática está em captar as contradições e organizar as pessoas, uni-las, envolvê-las e comprometê-las harmoniosamente em torno de interesses comuns, dando atendimento às suas necessidades coletivas e até individuais.
A cooperação é uma maneira inovadora de lidar com as ‘imperfeições’ de mercado: isto é, as relações de mercado são, por essência, baseadas nos interesses individuais participantes, e portanto, são antagônicas, não cooperativas. Numa sociedade desigual, o ativismo associativo, pelos relacionamentos e através da aprendizagem contínua das pessoas, sinaliza um contrato tácito que sustenta o comprometimento e a práxis da ação para ajudar a mitigar as imperfeições da textura social .
As organizações associativas abrigam um complexo sistema de relações sociais que se estruturam a partir das necessidades, das intenções e interesses das pessoas que cooperam no sentido de fazer frente a naturais debilidades.
Da dinâmica dessas relações nascem ações no espaço da cultura, do desporto , do ambiente, da saude, da educação ,da ação social , da habitação, do jornalismo, da economia, da política, et cetera, constituindo-se em processos de aprendizagens e estruturas de poder fáctico.
Enfim , um processo endógeno de mudança, (tidas em conta as externalidades inexoráveis) que leva ao dinamismo econômico e à melhoria da qualidade de vida da população em pequenas unidades territoriais e agrupamentos humanos.
Desenvolver-se não significa seguir um rumo previamente inscrito na vida social, mas exige a construção das próprias condições dessa vida social pela ação dos homens.
No processo do desenvolvimento local é imprescindível o reconhecimento da multiplicidade e diversidade das potencialidades humanas insítas e expressas na pluriactividade dos associativismos existentes .
Os Jornalismos (várias origens,tipos, classes e formatos) contribuem, cada vez mais, para a extensão ( qualidade, quantidade, formas de) da “deliberação” do comum cidadão, municipe, ou freguês, ( em associações, clubes, colectividades, ipss(s) etc., e/ou individualmente) através de estratégias de participação cidadã que poderão transformar gente comum em públicos activos(organizados e/ou não).
Desacordos e discussões sobre assuntos concretos, debates que podem acabar em consensos de minimo denominador comum comunitário são gerados/transmitidos pelos O.C.S.(orgãos de comunicação social) não referindo necessariamente as soluções de problemas mas tendo já construido público e cidadãos mais activos.
Tomar os cidadãos,municipes, fregueses,tal como são, com as suas experiências de vida, as suas percepções ,nos saberes da vida quotidiana, na vida das suas associações, clubes e colectividades, nas IPSS(s) ( Instituições Particulares de Solidariedade Social ), tem sido e continuará a ser, cada vez mais, parte principal do papel dos O.C.S.( orgãos de comunicação social) na vida das comunidades, nos contextos nacional, interregional e global.
Etapa presente em desenvolvimento são, considerando os actores do associativismo, desenvolvimento e comunicação, AS REDES (importantíssimas...) .
Disso falaremos numa próxima oportunidade...
JOSÉ CARIA














