«Ajuda» do FMI!? Um novo saque ao país, mais um roubo aos portugueses.Por Eduardo Teixeira
Moita

Por Jornal Rostos
Já chegou a ajuda. Ajuda?! Esta é a frase mais debitada nos meios de comunicação social dominantes num claro eufemismo perdão, quero dizer, num claro logro. Mas que ajuda é esta? Será que o sentido da palavra “ajuda*” agora mudou? No rico léxico nacional existem muitas palavras que expressam aquilo que a “troika” FMI/FE/UE/BCE vem cá fazer mas, ajudar é que eles não vêm.
O que vêm fazer ao nosso país não é ajudar. O que vêm cá fazer é puramente e simplesmente explorar os recursos nacionais. Sacar ao país e roubar os trabalhadores e o povo. Este é um negócio altamente lucrativo para os seus interesses.
Bem se esforçam os comentadores/economistas/senadores, eu sei lá que apelidos agora se dão aos propagandistas do “main stream”, em mascarar esta ofensiva. É “inevitável" e "peca por tardia" dizem eles de canal em canal, de jornal em jornal. É um corrupio de especialistas a justificar o injustificável. Amplificam e credibilizam as afirmações do PS, PSD e CDS-PP que mentem descaradamente quando dizem que estão a defender os interesses de Portugal. Escondem que esta intervenção que nos é apresentada com única alternativa é talhada à “medida do fato” dos banqueiros e grupos económicos, do “tailleur” da Sr.ª Ângela Merkel.
E isso é fácil de ver: bastaram umas instruções da “Chanceler” alemã e umas ordens dos donos da banca nacional para o Governo PS, que até a poucos dias atrás se afirmava “firme” na ideia que FMI “jamais”, escancarar a porta aos agiotas. E pasme-se, até Cavaco Silva, que descansava após o violento discurso da tomada de posse, veio dar o seu apoio. Que triste serviço prestam ao país ao cederem e abdicarem da nossa soberania.
Orçamento após orçamento, de PEC em PEC, vemos o país, os trabalhadores e o povo a empobrecer. Chega agora o FMI/FE/UE/BCE (instrumentos do capital), para dar uma "ajuda" ao trabalho que PS/PSD/CDS-PP têm levado a cabo nos últimos 36 anos. As medidas não serão novas: Alterações das leis laborais, flexibilização, roubo nos salários e pensões, cortes nas prestações sociais, redução das funções sociais do Estado, privatizações, apoios à banca e aos grupos económicos, recessão, alienação de importantes parcelas da soberania nacional, ataque às autarquias (asfixia financeira, redução do número de freguesias e concelhos). É o costume, continuidade da política de direita.
Impõem-se sacrifícios injustificados aos trabalhadores, aos reformados, com um autêntico roubo dos seus rendimentos. Aumentam-se impostos, bens e serviço essenciais. Tudo isto em nome do “combate ao défice” e para acalmar os “mercados”.
Entretanto Américo Amorim, Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo têm uma fortuna acumulada que equivale ao rendimento anual de 2 milhões de reformados. No ano passado os 4 principais bancos privados tiveram um lucro de 1.432 milhões de euros, o equivalente ao rendimento de 215 mil trabalhadores com o salário mínimo e, pasme-se, pagaram metade dos impostos que tinham pago em 2009.
O país não precisa de declínio económico e dependência externa. O FMI/FE não é e não será a solução, só contribuirá para manietar o país, aprofundar a sua subordinação ao capital internacional e justificar mais exploração, injustiças e pobreza. Veja-se a Grécia e a Irlanda onde, após as chamadas ajudas do FMI/BCE, continuam a aumentar as taxas de juros e as dívidas públicas.
O PCP reafirma ao povo português que pode contar com a sua luta e intervenção para fazer frente a estas medidas e a esta política de direita. Há outro caminho, outras soluções. Há alternativa a esta nova ingerência na vida do país. Tal como o PCP defende, é necessário e urgente face ao agravamento insustentável e ilegítimo da dívida pública: a renegociação imediata da dívida pública envolvendo prazos, juros e montantes a pagar; a intervenção junto de outros países que também estão sob a mira da especulação do capital para uma acção convergente junto da UE; uma política orientada para o crescimento económico e para a defesa da produção nacional; a diversificação das fontes de financiamento e das relações comerciais; a renegociação das chamadas Parcerias Publico Privadas.
As próximas eleições de 5 de Junho são uma oportunidade e uma responsabilidade. PS, PSD e o CDS aspiram ser meros executantes nos próximos quatros anos de um programa ditado e imposto do exterior contra os interesses nacionais. Há alternativa com a luta e o voto na CDU. O país precisa de uma política e de um governo patriótico e de esquerda. As opções de voto não devem ser decididas no “mal menor”, é preciso penalizar os responsáveis. É preciso dizer basta a três décadas de alternância no poder destes partidos que levaram o país ao desastre.
Eduardo Teixeira
Membro da Comissão Concelhia da Moita do PCP














