ESTE PAÍS NÃO ESTÁ PARA NINGUÉMPor Nuno Gonçalo Poças
Seixal

Por Jornal Rostos
Quando Miguel Esteves Cardoso escreveu, brilhantemente, a letra de ‘Foram Cardos, Foram Prosas’, que Manuela Moura Guedes cantou, enganou-se num aspecto: o que nos têm deitado no colo têm sido poemas e rosas, que se têm transformado em cardos e prosas (bárbaras, quiçá). Os poemas da Rosa têm sido inúmeros e não vale a pena dissertar sobre eles. Digamos apenas que nos levaram ao estado actual de coisas: um enorme cardo neste campo, aparentemente árido, que é Portugal.
O último espinho foi a decisão do Governo de dar aos funcionários públicos tolerância de ponto nesta última quinta-feira à tarde. É o mais evidente sinal de que o Governo, órgão de soberania, está em campanha eleitoral pelo Partido Socialista e por José Sócrates. Ao mesmo tempo, o semanário Sol dava-nos notícia de que a troika da União Europeia, Banco Central Europeu e FMI teria ficado chocada com tal decisão. Compreensivelmente, diga-se.
Os responsáveis pela ajuda financeira a Portugal estão em Lisboa a trabalhar há vários dias. Têm-se desdobrado em múltiplas iniciativas e reuniões para aferir do verdadeiro estado de coisas: das finanças à justiça, passando pela saúde e pelas leis laborais, o país está a ser corrido a pente fino. E bem, diga-se.
Mas enquanto aqueles que, tardiamente, chamámos e a quem pedimos, desesperadamente, auxílio, trabalham, o Governo oferece, de uma forma altamente panfletária, o descanso e cinco dias de férias à função pública. Num momento tão difícil quanto aquele que hoje vivemos, o Governo incentiva a paralisação e a redução da produtividade. Incentiva as férias, o crédito e a inércia. E a troika, a suar no Ministério das Finanças, olha, impávida, um país que, não se sabendo governar, não quer ser governado e muito menos quer olhar seriamente para a realidade que está a viver. E, enquanto isso, o próprio Primeiro-ministro aproveita também as mini-férias para “descansar” num qualquer resort de luxo no Algarve.
Portugal, de facto, não precisa de ajuda financeira. Não precisa de reformas nem de motores de desenvolvimento. Precisa, sim, desesperadamente de ajuda psiquiátrica e de uma brutal reforma de uma mentalidade paternalista, que olha o Estado como o manto que tudo cobre e que tudo protege. Precisa, sim, de um Governo que diga às pessoas que são necessários sacrifícios e que incentive a produtividade. E que o faça através do exemplo e não pela força de uma autoridade que não deve ter.
Portugal não está, de facto para velhos. Nem para novos. Este país não está para ninguém. Nem para si próprio.
Nuno Gonçalo Poças
JSD














