Querem matar a alma das gentesPor Armando Vieira

Por Jornal Rostos
Perplexos e entalados entre a chegada dos senhores do FEEF/FMI e a dificuldade de comunicação que caracteriza o relacionamento institucional ao nível dos maiores partidos, os portugueses chegam a esta Páscoa sem motivos razoáveis para a reflexão e conversão espiritual que a quadra sugere.
Dizem os cânones que os católicos devem nesta época do ano aproximar-se de Deus visando o crescimento espiritual e a comparação entre a vida na Terra e o conjunto das mensagens expressas nos Evangelhos. Ora, independentemente das suas convicções religiosas, a verdade é que os portugueses trataram, este ano, de interpretar a festa da Páscoa da melhor e mais correcta das formas: juntaram a tolerância de ponto de 5ª feira à Sexta-Feira Santa, adicionaram-lhe o fim-de-semana e, para o período de descanso ser absolutamente livre, até o bom do 25 de Abril somou descanso.
Delirantes e inconscientes, milhões de portugueses meteram folgas, férias, ponte, fim-de-semana prolongado – tudo em nome da Quaresma, já se vê. Habituados à penitência e à meditação de fim de mês e rotinados no esforço de Domingo, o luso povo prepara-se, agora, para verdadeiramente viver como filho de um deus menor que o deixará, até sabe-se lá quando, entregue nos braços salvadores dos inspectores do FEEF/ FMI.
Resultados da reflexão colectiva, a oração e a penitência integrarão a partir de terça-feira, 26, o nosso quotidiano; quanto à caridade, esperemos que o céu nos não caia em cima.
E é neste contexto que os profissionais do FEEF/FMI trabalharam a Sexta-Feira Santa, o Sábado de Aleluia e o Domingo de Páscoa. Quanto ao povo, moita carrasco, que a crise é dos vizinhos e as empresas financiadoras de compras a crédito estão cá é para resolver os problemas de última hora.
De Norte a Sul e do Litoral para o Interior, os portugueses passaram um cheque em branco a quem ditará as regras da governação para os próximos anos. Mas não são estes salvadores internacionais os responsáveis pelo estado a que chegámos. Não são eles quem contribuiu para o aniquilar de esperanças e o derreter de expectativas. E nem são eles quem quer matar a alma das gentes, que é como quem diz de um povo perdido no fragor dos grandes centros urbanos e de cidades e vilas em campos cada vez mais desertificados – e onde as freguesias constituem o último reduto e se assumem verdadeiramente como a alma e defesa da identidade das gentes.
Ora como um povo sem alma é um povo sem memória e sem futuro, cabe agora às gentes tratar de salvar as próprias almas. E, perante isto, temos um único caminho: trabalhar para acreditar; acreditar para trabalhar. Como sempre, as freguesias portuguesas saberão estar ao lado dos cidadãos.
Armando Vieira
Presidente da ANAFRE














