Dia do Trabalhador e as Promessas EleitoraisPor Pedro Pólvora
Setúbal
No nosso distrito a situação assume contornos cabalmente preocupantes, em Concelhos como a Moita, Sines e Alcácer do Sal a proporção de desempregados jovens inscritos nos centros de emprego ultrapassa os 38%, sem que haja, por parte dos decisores políticos locais, respostas válidas a este problema social.

Por Jornal Rostos
No próximo dia 1 de Maio assinala-se o Dia do Trabalhador, conquista que tem a sua génese no ano de 1886, nas ruas da cidade de Chicago, tendo sido posteriormente recuperado por Raymond Lavigne em França. Realizando uma pequena contextualização histórica, o mote desta manifestação consubstanciava-se na redução do horário laboral para oito horas diárias.
Em Portugal, este dia é celebrado livremente desde 1974, no entanto, se tivermos em consideração a realidade social do nosso país, as reivindicações são completamente inversas às conquistadas aquando o protesto Norte-americano. Hoje temos um país numa espiral ascendente no que respeita ao desemprego e os jovens portugueses manifestam-se pela oportunidade de trabalhar as oito horas.
Actualmente, a taxa de desemprego em Portugal regista máximos históricos, fixando-se nos 11,1%. A realidade torna-se mais sinuosa se considerarmos que temos 276 700 jovens desempregados, tendo sido nesta faixa etária que se registou o maior crescimento desde 2008.
No nosso distrito a situação assume contornos cabalmente preocupantes, em Concelhos como a Moita, Sines e Alcácer do Sal a proporção de desempregados jovens inscritos nos centros de emprego ultrapassa os 38%, sem que haja, por parte dos decisores políticos locais, respostas válidas a este problema social. As autarquias continuam a aplicar a taxa máxima de derrama e recusam-se a seguir práticas de incentivo ao empreendedorismo como as adoptadas pela Câmara de Cascais.
Por outro lado, no plano nacional, as propostas sociais de combate ao desemprego apresentadas pelo PS esta semana não se revestem de credibilidade pragmática. Todos nos recordamos da promessa eleitoral do Eng.º José Sócrates, quando profetizou a criação de 150 mil postos de trabalho. Infelizmente a realidade do mercado laboral dá-nos uma mensagem distinta, quando o PS chegou ao Governo em 2005, a população empregada era de 5 180,8 milhares, volvidos seis anos, Portugal reduziu drasticamente a sua população para 4 978,2 milhares de trabalhadores, o que representa não uma criação, mas sim uma destruição de aproximadamente 200 mil postos de trabalho. Nesse sentido, e considerando as limitações impostas pelo FMI, é moralmente questionável que este Partido de Sócrates se possa apresentar com um novo programa eleitoral assente na promoção do emprego.
Para terminar, torna-se claro para qualquer português as questões subjacentes à campanha eleitoral que se esta a aproximar. Serão credíveis as propostas de incentivo à inserção dos jovens na vida activa, apresentadas no Programa Eleitoral do PS? Terá ainda este Partido Socialista de José Sócrates, apesar das inúmeras operações de maquilhagem, credibilidade junto dos Portugueses?
Pedro Pólvora
Economista
Vice-Presidente da Comissão Política Regional da JSD














