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Quotidianos

A grave realidade política e social do país e o peso das palavras da CDUPor Armando Morais
Moita

Senhores do PS e do PSD, não há exagero no peso das palavras da saudação da CDU ao 25 de Abril e ao 1º de Maio, porque a realidade económica e social é ainda mais grave e, infelizmente, pode ainda agravar-se de forma brutal com as medidas preconizadas pelo FMI, EU, pelos partidos políticos, PS, PSD e CDS-PP e pelo Presidente da República.

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A grave realidade política e social do país e o peso das palavras da CDU Por Armando Morais Moita

Por Jornal Rostos

Sempre que posso, assisto aos trabalhos da Assembleia Municipal da Moita, como aconteceu na passada sexta-feira, 29 de Abril. As propostas de moções e saudações ao 25 de Abril e 1º de Maio dominaram o período de antes da ordem do dia, sobre as quais se estabeleceu vivo debate acerca do conteúdo da saudação apresentada pela CDU.

A saudação do PSD referia a importância da manutenção dos postos de trabalho mas logo acrescentando difícil em alturas como as que vivemos, terminava falando numa política nova, sem dizer qual. A saudação do PS afirmava estar ao lado dos trabalhadores que estejam abrangidos por um certo sindicalismo, deixando de fora os trabalhadores sem opção sindical ou filiados em organizações sindicais que não tenha a bênção do PS, na realidade a maioria dos trabalhadores filiados em Sindicatos da CGTP. A bancada da CDU, muito justamente, votou contra estas duas moções.
A CDU votou favoravelmente a moção do BE, embora esta não referisse a grave situação política, económica e social do País, que atinge de forma particular os trabalhadores e a população, nem tão pouco indicasse os responsáveis políticos pelo desastre a que Portugal chegou, após mais de 35 anos de políticas de direita.

O texto da saudação da CDU mereceu da parte do PS a classificação de “linguagem desactualizada, do tempo do PREC” e outras considerações antidemocráticas. Para o PS, cuja saudação não falava do corte de salários, dos despedimentos e do desemprego, do elevado custo de vida, dos 2 milhões de pobres, da degradação da justiça, do ensino e da saúde, o texto da CDU, que fala dos problemas que afectam a vida dos portugueses, feriu-lhe a sensibilidade…

Mas, vejamos o conteúdo do parágrafo que mereceu as violentas críticas do PS: passados 37 anos de realização destas grandes conquistas do povo e dos trabalhadores portugueses, PS, PSD com ou sem o CDS, pretendem não só fazer um ajuste de contas com os direitos que Abril e Maio nos trouxeram bem como, usurparem ainda mais a riqueza criada pelos trabalhadores. Negoceiam contratos mais frágeis que os códigos de trabalho e suas revisões, aplicando legislação lesiva dos direitos dos trabalhadores, em particular os da Administração Pública, tentando aumentar as jornadas de trabalho e precarizando ainda mais as relações laborais. Querem também apropriar-se do património da segurança social e dar-lhe um carácter meramente assistencialista. Pretendem fazer da Saúde um negócio e degradar a Escola Pública, retirando-lhe recursos humanos, físicos, materiais e financeiros, enquanto promovem o ensino privado.

Se tivermos em conta a realidade, as palavras utilizadas na saudação da bancada da CDU são ainda leves, tendo em conta que há pessoas a passar fome, que há crianças que a única refeição quente que comem é na escola, que há crianças que não comem iogurtes… porque os seus pais estão no desemprego, muitos sem receber o respectivo subsídio. Há muitos reformados e pensionistas que não compram os medicamentos receitados pelos médicos porque não têm dinheiro… ou as dezenas dos (velhos e novos) que batem à porta da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros a pedir que lhes sirvam refeições, porque têm fome.

Senhores do PS e do PSD, não há exagero no peso das palavras da saudação da CDU ao 25 de Abril e ao 1º de Maio, porque a realidade económica e social é ainda mais grave e, infelizmente, pode ainda agravar-se de forma brutal com as medidas preconizadas pelo FMI, EU, pelos partidos políticos, PS, PSD e CDS-PP e pelo Presidente da República.

Armando Morais
Membro da DORS do PCP

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