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Quotidianos

É este o Abril que faz falta!Por Pedro Correia Azevedo
Almada

Abril é uma história com um projecto social ao centro! Um projecto em que todos nós, cidadãos, participamos e acreditamos! Trata-se de ganhar o futuro e isso passa por investir num colectivo válido! Aos jovens cabe a irreverência com respeito e de forma informada! Já dizia Sophia de Mello Breyner Andresen “Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar”.

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É este o Abril que faz falta! Por Pedro Correia Azevedo Almada

Por Jornal Rostos

Abril como sinónimo de liberdade é um lugar-comum verdadeiro, contudo, liberdade não é sinónimo de saudosismo. Abril já passou, enquanto mês, mas ele tem de ser constante, enquanto ideal, pelo conjunto de valores que acarreta. Seja Janeiro, Fevereiro, Março,… Abril é supra-partidário, transgeracional, transversal, não é monopólio de uma geração nem de uma força política, podia ter o nome de qualquer outro mês do ano e deve ser sempre um estímulo.
Faz falta um Abril de discussão, faz falta um Abril de seriedade e de integridade na intervenção. Mais do que uma crise política nacional ou uma crise económica nacional e internacional, Portugal vive, desde há vários anos, assente numa crise de valores por via da descredibilização dos agentes políticos e da pouca seriedade de quem governa. Tantos anos de políticas socialistas ineficazes – está na hora de mudar!
Cada vez mais os grandes eventos publicitados são vazios de conteúdo e plenos na forma, cada vez mais as pequenas acções da gestão corrente do dia-a-dia se encaixam numa cadeia de elos que afunda o estado das coisas. Exemplo dessas pequenas acções é a nova lei que gere os apoios sociais do Estado e deixa, no próximo ano lectivo, milhares de alunos sem bolsas de estudo – desinvestimos na formação, desqualificamos os nossos jovens, despromovemos a excelência e empurramo-nos para a mediocridade.
Mas nem só de questões políticas nacionais vive o dia-a-dia: recentemente, na Assembleia Municipal de Almada, aprovou-se o fecho das superfícies comerciais ao Domingo e Feriados. Numa cidade que viu o seu comércio local arruinado pela construção do metro de superfície, sem um plano de requalificação que permitisse o equilíbrio das coisas, esta medida vem, ainda mais, promover a dificuldade dos comerciantes locais.
Contudo, de nada adianta qualquer decisão se as pessoas não expressarem a sua opinião, e a crise de valores também se vê na adinamia com que recebemos as decisões e as coisas, porque, sem desculpa, a maioria dos portugueses vive de forma desinformada.
A responsabilidade, grande sinónimo de Abril, tem que ser assumida por todos, como um desígnio nacional. Portugal tem que se virar para o futuro, pela aprendizagem e não pela repressão, pela construção e não pelo controlo desmedido. As pessoas devem ser (re)estimuladas a integrar a vida social activa, a expressar as suas opiniões, de forma educada e verdadeira, e serem responsabilizadas pelos seus actos e pelas suas decisões. Há que discutir os problemas do mundo e do fundo da rua.
Abril é uma história com um projecto social ao centro! Um projecto em que todos nós, cidadãos, participamos e acreditamos! Trata-se de ganhar o futuro e isso passa por investir num colectivo válido! Aos jovens cabe a irreverência com respeito e de forma informada! Já dizia Sophia de Mello Breyner Andresen “Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar”.
No disparo de um cravo, Abril é um passo em frente, uma pedra basilar na construção de um Portugal moderno! Modernidade significa ergonomia, bem-estar, sustentabilidade no dia-a-dia! Mais do que a transmissão de ideias, a sua aplicabilidade deve ser cumprida no sentido positivo da sociedade! Assim se cumpre Abril no meu país, na minha cidade, na minha rua, em minha casa…

Pedro Correia Azevedo
Médico, Conselheiro Regional da JSD Setúbal, membro da Assembleia de Freguesia do Pragal

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