Duas notícias importantesPor Nuno Santa Clara
Barreiro
A segunda é a detenção, algo rocambolesca, do Sr. Dominique Strauss-Kahn, o todo-poderoso patrão do FMI. Exultaram os portugueses, mas sem razão: nada irá mudar naquela instituição, ainda que o grande chefe vá preso.

Por Jornal Rostos
Este fim-de-semana trouxe ao grande público duas notícias que, neste período de aceleração da vida nacional em ambiente de pré-campanha eleitoral, podem parecer menores, mas que na verdade são importantes.
A primeira é a da detenção de vários agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), apanhados nas teias de actividades que haviam jurado (solenemente!) combater. Não fiquei em estado de choque, nem ninguém deve ter ficado. As mais solenes promessas são diária, pública e escandalosamente quebradas: fidelidade no matrimónio, defesa da Constituição, justiça para todos, cuidar dos doentes, solidariedade para com os fracos, etc. Porque haviam os agentes da PSP ficar imunes à tentação, num Mundo assim?
Mas houve algo diferente. A própria Instituição tratou de deter os prevaricadores, repor o Direito e defender a sua Honra. Porque a Honra de uma Instituição não se defende encobrindo criminosos, em nome de uma camaradagem que só pode ser classificada como cumplicidade; a Honra de uma Instituição defende-se atacando de frente quem a desonra, de forma clara, legal e pública.
Qualquer que seja o desfecho deste caso, a PSP sai de cabeça erguida, o que não é o caso dos processos que se arrastam em tribunal sem fim à vista, e dos inquéritos parlamentares por regra inconclusivos.
A segunda é a detenção, algo rocambolesca, do Sr. Dominique Strauss-Kahn, o todo-poderoso patrão do FMI. Exultaram os portugueses, mas sem razão: nada irá mudar naquela instituição, ainda que o grande chefe vá preso.
Acho que, pelo contrário, os portugueses deviam ter ficado tristes com a história. Porquê?
Pois se nem o grande patrão das finanças mundiais logrou escapar de uma mera acusação de assédio sexual, ou de tentativa de violação, nem que isso tivesse implicado parar um avião, como classificar o que cá se passa em matéria de crimes sexuais, e não só?
A prisão do credor não extingue a dívida, e por isso qualquer alegria é estéril; mas a eficácia da polícia, e o desprezo pela importância do arguido, face ao princípio da igualdade dos cidadãos perante a Lei, é que são coisas importantes a reter nesta caso.
A comprovarem-se as acusações, resta-nos saber o motivo que leva um sexagenário a tomar aquela atitude. Para mim, seria simples: para os donos do Mundo, tudo é deles, e as mulheres também…
Conforme escreveu recentemente José Gil, o verdadeiro reformismo “implica mudar decisivamente as mentalidades que fomentam a corrupção, o facilitismo, o desenrasque, a irresponsabilidade, a obediência passiva, o medo, o pânico de arriscar, os hábitos de nada assumir e de negar a realidade”.
Bem andaram, pois as polícias, portuguesa e americana, nestes dois casos.
Nuno Santa Clara














