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Afinal que gente somos nós…Por Maria Valido Mendes
Seixal

Parece-me que, com a evolução da sociedade, nos temos tornado pessoas frias e calculistas sem sentimentos, que apenas queremos e fazemos por ter o que mais nos convém quando mais nos convém, esquecendo-nos dos outros e nem pensamos se precisam de nós, muito menos que um dia podemos ser nós a estar nessa situação e que à velhice nem sabemos se chegamos.

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Afinal que gente somos nós… Por Maria Valido Mendes Seixal

Por Jornal Rostos

Nos tempos que atravessamos, e tendo em conta a sociedade em que vivemos, há que ter em especial atenção os problemas que os nossos idosos estão a atravessar. Numa altura em que a conjuntura económica não é a mais favorável, esse não é, de forma alguma, o único problema que o nosso país atravessa, outro igualmente grave e que não pode de forma alguma ser descurado são os problemas sociais da nossa “velhice”.

É certo que somos um dos países da Europa em que a população é mais envelhecida e que o número de jovens não é tão elevado quanto se esperava. No entanto, o facto de Portugal ter uma população envelhecida não é, de todo, um mau presságio ou mau caminho que se tenha tomado. Se pensarmos friamente no decorrer das últimas décadas, a medicina tem evoluído, assim como as condições de vida da população, o que, consequentemente, são factores que remetem a um aumento da esperança média de vida, onde se verifica uma velhice com mais qualidade e dignidade.

Porém, dignidade e qualidade de vida na velhice é algo que ultimamente tem sido posto em causa por diversos motivos e acontecimentos que se têm tornado públicos, quer por idosos que têm sido encontrados sem vida ao fim de vários anos nas suas residências, ou pela denúncia de “lares” ilegais sem as mínimas condições que dêem dignidade e conforto nesta última fase da nossa vida.
O que leva a pensar: Afinal que gente somos nós que não somos capazes, ou pelo menos assim transparece, de cuidar dos nossos velhos e de lhes dar uma última réstia de dignidade e carinho no tempo que lhes sobra de vida.

Parece-me que, com a evolução da sociedade, nos temos tornado pessoas frias e calculistas sem sentimentos, que apenas queremos e fazemos por ter o que mais nos convém quando mais nos convém, esquecendo-nos dos outros e nem pensamos se precisam de nós, muito menos que um dia podemos ser nós a estar nessa situação e que à velhice nem sabemos se chegamos.
Quando somos jovens e pensamos na velhice, encaramo-la como algo que está distante e julgamos lá chegar tranquila e dignamente. Mas é necessário parar e pensar se seremos todos os que teremos uma velhice assim… Contudo, com o que tem sido exposto na comunicação social, deparamo-nos com uma realidade bem diferente daquela a que estamos habituados a ter e a conviver nos nossos “lares”, tomamos conhecimento de idosos abandonados pelas suas famílias, idosos que são postos em autênticos depósitos de velhos, como se de lixo se tratasse.

Tudo isto remete-nos para uma outra situação que, de certa forma, vai ao encontro à actual conjuntura económica que se faz sentir no país. Com idosos a receberem pensões irrisoriamente baixas que mal lhes dá para a medicação, quanto mais para pagarem alimentação, água, luz, gás. Que acaba por lhe levar os poucos euros que recebem por mês, no final de uma vida de trabalho vêem-se abandonados não só pelas suas famílias mas também pelo país que os viu nascer.

No final, só nos resta pensar o que vai ser de nós num país que faz por esquecer os velhos e que aos jovens não instiga o sentimento de entreajuda e humildade para com aqueles que nós seremos um dia…

Maria Valido Mendes
JSD Seixal

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