O PREC DE DIREITA RADICALPor Carlos Pires
Barreiro

Por Jornal Rostos
Temos vindo a assistir à tentativa de implementação de um novo PREC, agora de sinal contrário ao vivido no ano de 1975.
Então Período Revolucionário em Curso, agora Período de Regressão Civilizacional, mas com a mesma ambição - desequilibrar as forças em presença na sociedade portuguesa, nomeadamente no âmbito das interacções laborais e na afectação e redistribuição dos recursos financeiros, prosseguindo objectivamente processos ideológicos radicais.
Na semelhante presunção de superioridade moral que pretendem assim dar mostras, até a própria linguagem utilizada, por insultuosa no conteúdo adjectivado ofensivamente e arrogante na forma registada crispadamente, é também susceptível de ser comparada.
Acrescem a isto os ódios que promovem, conjuntamente com os OCS que objectivamente lhes estão alinhados, bem como o desrespeito que demonstram pela parte significativa dos portugueses que pensam diferentemente, desdenhando soluções que, mesmo que o interesse nacional o dite e ilustres portugueses o defendam, à partida assim sobranceiramente renegam falando em "paus de cabeleira" e "saladas russas".
Outros haverá que, revendo-se nas propostas dos que os ultrapassaram no sentido e não necessitando assim de "fazer despesas", têm estado na "engorda", limitando-se a aproveitar os ódios lançados e a recolher os que na sua agressividade verbal não se revêem.
Neste tempo de reconhecidas dificuldades, que para alguns é de afirmação de um caminho que reconhecem difícil mas possível para o nosso País, sem colocar em causa os pilares essenciais do modelo humanista em que a nossa sociedade tem vivido – de igualdade de oportunidades na saúde, na educação, na justiça, na cultura, na segurança social, etc. e solidário com os que menos têm -, há hoje outros que, radicalmente e como nunca antes na democracia portuguesa, querem expor tais pilares como mercados, apenas na parte que proporciona lucros financeiros, deixando para o Estado, a que chamam de “mau gestor”, a parte que não os gera.
Neste quadro não deixa de constituir um sinal positivo a incomodidade que começam a dar nota muitos dos que se têm revisto na social-democracia até este momento representada pelo partido dos agora liberais, nomeadamente em relação a várias propostas que têm vindo a ser reveladas, algumas insertas no programa com que este se apresenta a sufrágio, já em si bastante neo-liberal, outras, assumidamente mais radicais, que se vão sabendo pelos seus conselheiros.
Estou por isso convicto que, no próximo dia 5 de Junho, tal como em 1995, os portugueses dirão mais uma vez não ao PREC, desta feita, da direita radical.
Carlos M. Pires
Cidadão do Barreiro
Militante do Partido Socialista














