Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Mudar pela representação dos cidadãosPor João Silva Antunes
Setúbal

É imperativo por isso combater este círculo vicioso, fazendo com que os eleitores se sintam efectivamente representados. Responsabilizando o “seu” representante pelo seu trabalho, não deixando que esta relação seja negativamente contaminada pelos climas de suspeição, casos de polícia e por fait divers. É fundamental combater a abstenção, incentivando os cidadãos a decidirem de acordo com aquilo que pretendem para o seu país e para a sua terra.

4 min de leitura
Mudar pela representação dos cidadãos Por João Silva Antunes Setúbal

Por Jornal Rostos

Estamos já na recta final de mais uma campanha eleitoral. Uma campanha que, apesar de tudo, acaba por ser diferente de todas as que a precederam, por vários motivos – destaco aqui quatro: pelo mais que falado contexto de crise económica e social, vivida na pele por milhões de portugueses; por se notar uma separação (mais) clara entre as várias soluções de poder; pela cobertura exaustiva por parte dos meios de comunicação social a todos os momentos de campanha e a todos os agentes que nela intervenham (sondagens diárias, abertura dos principais espaços noticiosos com os principais candidatos a primeiro-ministro) e, eventualmente o factor mais flagrante que a desmarca das restantes, o afastamento sem precedentes entre os cidadãos e os seus representantes políticos.
Se os primeiros três acabam por ser – a bem ou a mal – assimilados pelos eleitores, a descrença, a desilusão e até ódio destes relativamente aos agentes políticos são sentimentos que são partilhados no contacto directo com os cidadãos, com particular destaque nas acções de campanha nas ruas do nosso país.
Afinal o que é que leva os cidadãos a terem este tipo de reacções? Terão razão? Se sim, que soluções temos ao nosso dispor para mitigar este problema?
Na minha visão, a única forma de respondermos a esta insatisfação é com trabalho, com responsabilidade. Falando verdade aos cidadãos, tirando qualquer conotação eleitoralista que esta ganhou nos últimos tempos. São cada vez mais os cidadãos que procuram a realidade à pura fantasia, a dureza dos factos aos floreados e aos efeitos visuais. Não deixa no entanto de ser curioso que aqueles que recriminam a falta de ética e responsabilidade, sejam os primeiros a quer retirar proveito de alguma forma, numa espécie de especulação descentralizada. Chega-se ao ponto de os eleitores “venderem” o seu voto aquele que der mais – aí um saco de pano é claramente mais valioso do que uma caneta, um boné vale mais do que um jornal ou um panfleto. Verifica-se que numa hipotético ranking de preferências dos eleitores, a informação acaba por se situar “abaixo da linha de água”.
As tomadas de posição por parte dos órgãos decisores acabam portanto por ser dissimuladas por parte dos meios de comunicação (e não de informação), onde os “soundbites” prevalecem. Se do ponto de vista da mensagem política são um veículo poderoso de comunicação, existe também o efeito colateral de levar a que os eleitores antagonizem o seu discurso. Quem não for a favor, é absolutamente contra. Quem não se revê na política, tem depois uma atitude antipolítica, que se expressa da mesma forma como Alberto Caeiro quando este se referia à metafísica: “Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada”. E a ver vamos se José Manuel Coelho, candidato do Partido Trabalhista Português pela Região Autónoma da Madeira, não é eleito para a XII Legislatura...
É imperativo por isso combater este círculo vicioso, fazendo com que os eleitores se sintam efectivamente representados. Responsabilizando o “seu” representante pelo seu trabalho, não deixando que esta relação seja negativamente contaminada pelos climas de suspeição, casos de polícia e por fait divers. É fundamental combater a abstenção, incentivando os cidadãos a decidirem de acordo com aquilo que pretendem para o seu país e para a sua terra. É essencial que os eleitores tenham motivos para acreditar numa política sincera, próxima dos cidadãos, que propõe medidas justas e as concretiza na realidade.
Mudar é, por tudo aquilo que foi referido e por tantos outros motivos, fundamental!

João Silva Antunes
Conselheiro Regional da JSD Setúbal

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção