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A propósito do debate político que se realizou ontem, em boa hora, patrocinado pelo «Jornal do Barreiro»Por Carlos Guinote

É fácil criar-se a imagem de que os comerciantes estão "ricos e de barriga cheia" mas a realidade não é essa. Houve tempos em que tudo correu sobre "um mar de rosas" e que alguns, poucos comerciantes conseguiram amealhar uns cêntimos, cêntimos esses que agora estão “enterrados” nos seus negócios e que é impossível reaver.

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A propósito do debate político que se realizou ontem, em boa hora, patrocinado pelo «Jornal do Barreiro» Por Carlos Guinote

Por Jornal Rostos

Estou a pensar no debate que ontem fui assistir, na S.I.R.B. os "Penicheiros", patrocinado pelo "Jornal do Barreiro", onde estiveram presentes os "cabeças de lista" por Setúbal, dos principais partidos com assento parlamentar.

Que encanto, todos tiveram uma palavra para as "micró, pequenas e médias empresas" do Distrito. Mas, palavras leva-as o vento... e os pequenos comerciantes querem acções, que os ajudem a resolver os seus problemas. Eu confesso, como pequeno comerciante, que tenho muitas dificuldades em cumprir as minhas obrigações fiscais e em pagar atempadamente os salários dos meus colaboradores, não sou dos que fogem às suas obrigações, trabalho "limpo" e... não consigo.

A determinada altura, um dos candidatos disse que se iriam criar muitos mais postos de trabalho no País ( a fazer lembrar a tal promessa dos 120.000 postos de trabalho), como? Pergunto eu, contacto com inúmeros colegas de profissão a nível do País e todos são unânimes em afirmar que não têm condições para admitir mais pessoal, na sua maioria todos estão desejando que os seus trabalhadores , ou vão para uma situação de baixa, ou que se despeçam.

Não nos podemos esquecer que é o pequeno comércio que absorve grande parte da mão de obra deste País.

Como apoio às “micró, pequenas e médias empresas”, este cidadão pede mais atenção para o valor do IVA, para os pagamentos especiais por conta "PEC", para os valores dos consumos do gás, electricidade e água, para o "aborto" que é a "Medicina no Trabalho", uma obrigação financeira para as empresas, facilmente resoluvel com o serviço nacional de saúde.

É fácil criar-se a imagem de que os comerciantes estão "ricos e de barriga cheia" mas a realidade não é essa. Houve tempos em que tudo correu sobre "um mar de rosas" e que alguns, poucos comerciantes conseguiram amealhar uns cêntimos, cêntimos esses que agora estão “enterrados” nos seus negócios e que é impossível reaver.

Chamo ainda a atenção dos senhores candidatos a representantes do povo pelo Distrito de Setúbal, que nós também pertencemos ao povo, que somos empregadores, que fazemos os nossos descontos para a Segurança Social, que pagamos os impostos, que em caso de falência ou incapacidade de solver os cumpromissos assumidos, não temos direito sequer a um subsídio de desemprego.

Resta aos comerciantes deste País, porque investiram toda uma vida na recuperação das suas empresas e em conseguir manter os postos de trabalho, seu e dos seus colaboradores, pedir esmola.

Foi o meu desabafo, depois de ouvir, não até ao fim, porque o mal estar se apoderou de mim, de um comerciante que tudo tem feito para manter a obra iniciada pelo seu pai, já lá vão 74 anos.

Carlos Guinote
Sócio nº. 1 da A.C.I.S.B.M. (Associação de Comércio, Indústria e Serviços de Barreiro e Moita)

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